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Violência psicológica contra mulheres

A violência psicológica está associada à forma de agressão a todas as ações que causem dano a outra pessoa, principalmente, pela linguagem e , pode ser tão sutil, dificulta sua correta identificação. Muitas vezes, não deixa marcas visíveis, como a violência física. Envolve rejeição, desrespeito, depreciação, discriminação, humilhação, punições ou castigos exagerados, isolamento relacional, intimidação, domínio econômico, agressão verbal, subjugação (contenção, proibições, imposições, punições restritivas) e ameaças.

No ambiente doméstico, é mais comum que a figura feminina sofra esse tipo de violência. Embora estejamos num momento social em que se tem buscado o empoderamento feminino, muitas vezes a mulher só vai se perceber num caso de violência quando começa a ter sintomas de doenças inexplicáveis e mesmo autoimunes, psicossomáticas, quando, então, busca tratamentos.

A violência psicológica (ou emocional) enfrentou muita dificuldade para ser reconhecida, especialmente em termos legais. No Brasil, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), promulgada em 2006, define como crime cinco tipos de violência: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Uma vez descrita em termos legais, a violência psicológica pôde ser finalmente aplicada judicialmente e os agressores condenados. Ainda assim, enfrenta obstáculos para ser comprovada. Há dificuldades na judicialização da violência psicológica, ou seja, de se enquadrar em um crime específico.

As implicações de ordem física e mental sofridas são diversas,como depressão, abuso de substâncias psicoativas, cefaleias recorrentes, distúrbios gastrintestinais e sofrimento psíquico, são alguns exemplos.

Vale lembrar que, a violência psicológica se manifesta nos pequenos gestos, nas práticas reiteradas de ofensa à mulher, na crítica aos seus valores, a sua imagem e comportamento, na diminuição de sua autoestima, na manipulação emocional, dentre outras que lhe retiram a capacidade de expressar suas vontades e pensamentos, tirando seu  poder de decisão e tornando-as codependentes de relacionamentos tóxicos. São em situações como estas em que a mulher, muitas vezes afastada de seus familiares, do seu círculo de amigos, fragilizada pela falta de oportunidades, pela dificuldade  financeira, padecem de violência psicológica e assistem aos poucos a morte de seus sonhos.

É comum o agressor através de palavras e atitudes, ofender e denegrir a imagem da vítima, menosprezar seus sentimentos, ferir sua autoestima, retirar-lhe o valor enquanto ser humano, não respeitar suas opiniões, valores e crenças para lhe impor poder, desrespeito e dominação.

Práticas como o ciúme, o controle, a agressividade nas palavras, os adjetivos pejorativos, a rejeição, o desrespeito, a humilhação, a intimidação, o domínio econômico, a ameaça de violência física e o isolamento relacional, são apenas alguns dos exemplos práticos desta triste realidade.

Portanto, esteja certo que  a agressão psicológica é um crime aparentemente invisível que paralisa suas vítimas durante anos. O relacionamento deixa de ser um ambiente de amor para se transformar em um jogo de dominação. E destruir a autoestima do outro é a estratégia e a consequência desse tipo de agressão extremamente covarde. Porém, a complexidade da violência psicológica não impede que esse crime tenha uma definição legal.

Enfim, tenha a coragem de reagir (não revidar), ainda que em conjunto com alguém que possa fazer algo por você. Muitas vezes, a vítima acha que é a única esperança na vida do agressor, e que aceitando o sofrimento um pouco mais ele mudará. Ainda que você tenha esperança que ele mude, tenha certeza que não será à custa de seu sofrimento que ele mudará. Por ele já ter uma imagem sua  como objeto, alimentada durante algum tempo, sem uma reação sua, é provável que a violência venha só aumentar.

Tenha em mente que buscar ajuda para se libertar de um relacionamento abusivo não é vergonha alguma; ao contrário: é o começo da sua caminhada para deixar de viver como propriedade alheia e assumir sua vida como dona de seu história, responsável por sua existência.

Observação: Para informações sobre a Lei Maria da Penha, que criminaliza a violência doméstica em todas as suas manifestações, ou para fazer uma denúncia, ligue para a Central de Atendimento à Mulher no número 180. 

Adriana Mª S. Costa – Psicóloga Clínica – CRP: 05/34435 & 04/IS00805

* Agende seu horário: (24) 24524478 (24) 998172071 (WhatsApp)

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