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As birras infantis e a permissividade dos pais

Quantos pais ou familiares já não se viram desagradados ou reféns das birras de seus pupilos? Entretanto, grande parte desses familiares não sabem como lidar com essa situação e se questionam quais seriam as razões para levar uma criança a manifestar seus desejos de tal forma. Vamos pensar juntos?

Proponho iniciarmos nossa reflexão com uma frase de Jean Paul Sartre: ” O desejo é uma conduta de enfeitiçamento.” O autor nos convoca a pensar sobre esse desejo desmesurado que enfeitiça a todos nós, mas principalmente as crianças. Cortella nos atenta para o fato de que os apelos constantes das mídias, as quais as crianças equivocadamente tem tido acesso livremente sem nenhum controle, seja uma das principais causas do consumismo desenfreado, que sinaliza a permissividade daqueles que cuidam de suas crianças. Não estamos atribuindo as birras exclusivamente ao consumismo, mas propondo pensar que o consumismo possa ser apenas um sintoma dessa falta de limites, que pode ser justificada por várias razões, dentre elas e de total relevância, é a ausência da função paterna, que é justamente a inserção da lei, do limite, da castração.

Freud, o pai da psicanálise, diz em uma de suas obras, que uma das melhores coisas que um pai (lê-se aqui aquele(a) que cuida) pode fazer é castrar seu filho(a). Fazer com que ele(a) aprenda a lidar com o interdito, com o não, com a impossibilidade. Uma criança que não é castrada, possivelmente se transformará num adulto que não conseguirá fazer escolhas, lidar com as frustrações da vida adulta em seus relacionamentos, trabalho, estudos, etc. O que se vivencia na infância, é inevitavelmente deslizado para a vida adulta, e essas experiências infantis serão revividas e rememoradas.

A birra nada mais é do que uma tentativa desesperada desse pequeno serzinho de realizar seus desejos, custe o que custar. E isso de alguma forma é necessário e saudável nas fases infantis, pois dá notícias de que essa criança está se constituindo um sujeito, com seus desejos, sua percepção de mundo, suas preferências, … Porém, é importante compreender que as crianças utilizam-se das ferramentas que possuem para defender o que pensam, ainda não possuem argumentos para sustentar e defender o que pensam ou desejam, lhes falta a palavra. A linguagem, própria do ser humano, manifestada pelo diálogo e tantas outras expressões, ainda está em formação.

Desta forma, cabe aos adultos, a decisão de ceder ou não. Orientar ou deixar correr. Dá trabalho interditar, orientar, inspirar nossas crianças, nem sempre fácil e/ou simples, mas fundamental. O que você decide fazer por aqueles que você cria? Assumir seu papel ou deixar que esse a quem você ama, cresça um jovem ou um adulto “desbussolado”, como diz o psicanalista Jorge Forbes? Vamos pensar juntos?

Andréa Pinheiro Bonfante- Psicanalista e Psicopedagoga

(24)99316-8982 whatsapp / [email protected]

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