Skip links

TECNOLOGIA: USO OU ABUSO?

 

As novas tecnologias e o advento da globalização vêm causando um impacto monumental na sociedade e alterações nos costumes, no comportamento e nos hábitos dos indivíduos. Quando se fala em novas tecnologias, faz-se referência a todo o conjunto convergente de tecnologias, computação (software e hardware) e telecomunicações, entre outras.

A relação do indivíduo não apenas com o telefone celular, mas também com o computador e com as demais tecnologias, proporciona tamanha influência no comportamento individual, social, familiar e ambiental que devem ser ininterruptamente acompanhadas e estudadas para que estejam sempre atualizadas.

A rapidez da evolução tecnológica é impressionante e observa-se grande revolução pessoal, social e ambiental quando da entrada no mercado dos computadores e dos telefones celulares. E devido ao avanço das tecnologias em todas as áreas, muitas vidas foram salvas e muitos desastres foram evitados. A qualidade de vida da população em geral vem aumentando na mesma proporção em que as tecnologias vão incessantemente sendo aperfeiçoadas. Para algumas doenças, curas estão sendo encontradas; nas pesquisas escolares, pode-se buscar e encontrar respostas em qualquer biblioteca virtual do mundo; na matemática, pode-se efetuar cálculos imediatos e impensáveis em um piscar de olhos. Por todos esses e outros motivos, reconhecem-se como fundamentais os investimentos maciços no campo das novas tecnologias.

Atualmente, a maioria dos indivíduos não sai de casa sem o celular. As pessoas carregam a carteira, os documentos, as chaves e o celular. Quando alguém o esquece, volta para pegar. Essas tecnologias portáteis são sedutoras, proporcionam autonomia, mobilidade, liberdade e praticidade.

As novas tecnologias surgem tamanha velocidade que as pessoas não são capazes de acompanhar todo o conhecimento produzido. Segundo alguns estudos, não conseguimos usar nem 10% daquilo que é oferecido, porém, mesmo sem conseguir usufruir todo potencial de uma aparelho já estamos trocando por um mais moderno.

É preciso estar atento às mudanças e reações percebidas nos indivíduos em relação às tecnologias que interferem no cotidiano para que se possa ser capaz de detectar as reações devidas e indevidas, os usos e abusos observados e interferir, de modo eficiente, em todos os aspectos.

Da mesma forma que as tecnologias podem produzir inúmeros benefícios, como conforto, conveniência e segurança, elas podem também reforçar comportamentos disfuncionais, como esquiva social, redução de exercícios físicos e dependência patológica de algum desses aparatos como maneira de aumentar a sensação de segurança. O limite entre o uso e o abuso das novas tecnologias é muito tênue.

Antes de tudo, é preciso diferenciar os termos dependência normal e dependência patológica.

  • O uso diário, mesmo que por muitas horas, não significa dependência patológica. Existem pessoas que se dizem dependentes do computador e/ou internet para trabalhar, entrar em redes sociais ou enviar e-mails diários. Isso não configura dependência patológica!
  • Para que um indivíduo seja considerado um dependente patológico do computador e/ou internet e/ou telefone celular, é preciso que essa dependência esteja relacionada com um diagnóstico primário, como um transtorno de ansiedade que esteja levando esse indivíduo a ficar dependente de uma dessas tecnologias para ajudá-lo a enfrentar as dificuldades provenientes do quadro relativo ao seu transtorno.

Exemplos:

  • Um indivíduo com transtorno do pânico que apresenta uma dependência patológica do telefone celular para conseguir sair de casa e ir a locais mais distantes.
  • Um indivíduo com transtorno de fobia social dependente de comunicação por intermédio do computador para evitar a ansiedade dos contatos pessoais.
  • Os dependentes patológicos do computador e/ou internet (jogadores patológicos) com transtorno obsessivo-compulsivo que passam longo tempo conectados em jogos ou games online, entre outros.

O uso “normal” é aquele que permite que se tire proveito de toda a tecnologia para crescimento pessoal, trabalho e relacionamentos sociais, entre outras coisas. Mesmo que o uso seja diário e por muitas horas, não configura uma dependência patológica. A dependência patológica acompanha uma inadequação e precisa apresentar sintomas no seu histórico para que seja estabelecida.

Mesmo que pessoas sem transtornos mentais se considerem dependentes e “viciadas” nesses aparelhos modernos, não significa que elas tenham algum problema.

A patologia se revela em pessoas que, quando ficam sem seu “objeto” de dependência, no caso, sem o telefone celular e/ou longe do computador e/ou da internet para se comunicar, acabam apresentando sintomas e alterações comportamentais e/ou emocionais. Os sintomas mais frequentes observados nessas circunstâncias, relacionados à impossibilidade de contato imediato, são, entre outros, nervosismo, ansiedade, desconforto e angústia.

As novas tecnologias podem trazer inúmeros benefícios, tais como conforto, segurança e prazer, e promover a globalização para todos os usuários, assim como também podem revelar transtornos, dependência patológica e ansiedade, observados em determinados hábitos de uso indevido dos aparelhos.

Quando se começar a observar alguns comportamentos em jovens ou adultos, como o isolamento “em seu próprio mundo”, o abandono de atividades externas ou do círculo de amizade para estar conectado em uma realidade virtual, causando prejuízo na vida pessoal, social e familiar, deve-se atentar que são esses os indícios necessários para se pensar em dependência das novas tecnologias. Esses sinais podem conduzir os especialistas a pensar na possibilidade da existência de um diagnóstico primário que seria responsável por produzir esses comportamentos abusivos e indevidos.

Alguns pacientes manifestavam sensação de angústia, desconforto e ansiedade quando se viam impossibilitados de estar conectados à internet ou quando não conseguiam se comunicar pelo celular. Esses comportamentos são conhecidos como nomofobia. Ou seja, é o medo de ficar incomunicável, longe do telefone celular ou da internet, é um transtorno do mundo moderno.

Pode-se observar alguns sinais do surgimento da nomofobia em pessoas com transtornos ansiosos e que fazem uso diário do telefone celular, que o mantêm ligado 24 horas por dia, que não saem de casa sem ele, que sentem ansiedade quando o esquecem, que voltam para buscá-lo quando o esquecem, que se sentem rejeitadas e com baixa autoestima quando ninguém lhes telefona ou quando percebem que os amigos recebem mais ligações do que elas e que, antes de dormir, programam o aparelho com os números do médico, do psicólogo e de hospitais registrados em ordem por uma numeração específica, caso sejam necessários.

Em casos de nomofobia, o tratamento deve ser direcionado para o transtorno primário de ansiedade, o que geralmente é realizado com o uso de psicoterapia  e/ou medicação após avaliação de um psiquiatra.

Importante: Não gostar de esquecer o telefone celular é comum e não chega a ser uma fobia! Porém, quando a ausência desses equipamentos chega ao ponto de atrapalhar a vida diária ou de trazer sintomas de ansiedade, desconforto, pânico, entre outros, o fato deve receber atenção especial e avaliação profissional.

Portanto, é preciso dosar e equilibrar o tempo na frente do computador nas redes sociais, nos jogos virtuais, nos games etc. Não se pode se privar de uma vida social ao ar livre, de curtir momentos de lazer e de praticar exercícios físicos. Principalmente as crianças e os adolescentes, que, devido a esse novo hábito, estão se tornando sedentários e obesos. Quanto às crianças, a educação teria que partir da conscientização dos pais e da escola em relação aos problemas em potencial. Pois o uso prolongado do computador e/ou da internet pode causar danos em relação à saúde física.

Além disso, a má postura frente ao computador, por exemplo, pode levar a dores nas costas, nos braços, no pescoço e na cabeça, devido ao longo tempo que se permanece sentado sem pausa e, geralmente, mal posicionado. Podem surgir cansaço nos olhos, cansaço excessivo devido a noites mal dormidas e de falta de atenção, concentração ou capacidade de aprendizado.

Lembrando que o diagnóstico deve ser estabelecido por um psiquiatra capaz de investigar e orientar para o tratamento apropriado. Após o diagnóstico, o psiquiatra poderá sugerir alguma medicação e/ou encaminhamento para atendimento psicológico.

 

Autora: Dra. Camila Santos – Psiquiatria.

Agendamentos em Valença:

(24) 2452-4478 ou (24) 99817-2071 (whatsapp)

 

 

Deixe um Comentário

Name*

Website

Comentar...