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TEPT: TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO.

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) acomete até 13,6% da população mundial e 87% da população brasileira é exposta a um evento potencialmente traumático ao longo da vida.

 E essa alta prevalência, associada à gravidade, torna o TEPT um grave problema de saúde pública em todo mundo; principalmente por aumentar o risco de desenvolvimento de doenças crônicas, envelhecimento e mortalidade precoce, além de ser um fator de risco para desenvolvimento de demência e outros transtornos psiquiátricos.

Apesar de tamanho prejuízo e incapacidade causados pelo TEPT, muitas pessoas que sofrem com o transtorno não procuram ajuda especializada. E mesmo quando os pacientes procuram o transtorno com frequência não é diagnosticado. Ou, mesmo quando procuram e é realizado um diagnóstico correto é um transtorno extremamente resistente à farmacoterapia.

O TEPT possui uma característica diferente de quase todos os outros transtornos mentais: para o seu desenvolvimento, ele precisa de um fator causal objetivo. Sem vivenciar um evento potencialmente traumático como: assalto, sequestro, estupro, catástrofe natural,… (fator causal objetivo), um indivíduo não pode desenvolver TEPT. Porém, não é qualquer estressor que pode ser considerado um evento potencialmente traumático, pois esse estressor deve envolver a exposição, de um indivíduo, a um episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual em uma ou mais das seguintes formas:

  1. Vivenciar diretamente o evento
  2. Testemunhar pessoalmente o evento traumático ocorrido com outras pessoas
  3. Saber que o evento traumático ocorreu com familiar ou amigo próximo
  4. Ser exposto de forma repetitiva ou extrema a detalhes do evento traumático, como por exemplo: socorristas, bombeiros, policiais…

(Não se aplica a exposição por meio de mídia eletrônica, televisão, filmes, fotografias; ao menos que estejam relacionadas ao trabalho)

Devemos ficar atentos que outros estressores que podem ser extremamente perturbadores como: separação conjugal, assédio moral no trabalho, grande prejuízo financeiro,… podem causar outros transtornos mentais, mas não TEPT.

Porém, há indivíduos que vivenciam esses eventos potencialmente traumáticos e, por pior que seja o evento, não desenvolvem TEPT. Pois somente quando a magnitude do evento traumático ultrapassa a resiliência do indivíduo é que se desenvolve um transtorno mental.

A resiliência é um processo dinâmico em que o indivíduo apresenta capacidade de adaptação positiva, apesar de vivenciar experiências aversivas ou traumas.

Devido à gravidade do transtorno, é fundamental o examinador avaliar minuciosamente os sintomas dos pacientes, afinal, é muito comum a maioria dos pacientes esconderem algumas informações, pois é extremamente doloroso falar sobre o ocorrido, o que auxilia no subdiagnóstico.

Os fatores de risco são: sexo feminino, algumas profissões (bombeiros, socorristas, policiais), exposição repetida, baixo suporte social, transtorno mental prévio, percepção de risco de morte no momento do trauma,… Embora o evento mais traumático na população brasileira seja a violência urbana, o evento com maior chance de causar TEPT é o abuso sexual na infância em mulheres.

Para um correto diagnóstico o indivíduo deve ser avaliado por um profissional da saúde mental, que realizará uma anamnese criteriosa, baseando-se nos critérios diagnósticos do CID-10 e DSM 5. Sintomas esses que inclui (após a exposição ao evento potencialmente estressor): a- revivescência, ou seja, lembranças/sonhos intrusivos e angustiantes em relação ao evento; b- evitação, no qual o indivíduo faz esforços para evitar lembranças, conversas, pessoas, lugares associados ao evento; c- alterações negativas da cognição e do humor; d- hiperexcitabilidade, ou seja, hipervigilância, resposta a sobressalto exagerada, perturbação do sono,…

O tratamento de primeira escolha é a psicoterapia. Em relação a farmacoterapia, o uso de medicações da classe dos Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS)são os de primeira escolha, porém com eficácia limitada no tratamento.

Caso você se identifique com algum desses sintomas, procure um profissional especializado para uma melhor avaliação e conduta.

Autora: Dra. Camila Santos – Psiquiatra

Agendamentos em Valença:

(24) 2452-4478 ou (24) 99817-2071 (whatsapp).

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