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O ABANDONO PATERNO E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA O PSIQUISMO HUMANO!

 

(Texto escrito em setembro de 2018)

Vivemos em uma época de grande carência humana, expressa muitas vezes pelos embates e aflições causados pela violência, seja no âmbito doméstico ou no convívio em sociedade.

O século 21 se apresenta como o momento em que a “figura paterna” saiu de cena, eclipsou-se, não sem consequências.

A psicanálise nos ensina, porém, que não podemos confundir “figura paterna” com Função Paterna. Devido a uma crise atual de valores, onde as atuais gerações estão se enfraquecendo por falta de não poderem vivenciar as dores naturais da vida, pela mítica que paira no ar, onde os atuais senhores do mundo, acreditam que “não podem traumatizar seus filhos”, não conseguem lidar com as frustrações ocasionadas naturalmente pela existência humana.

Nesse contexto, a figura de pai foi extremamente abalada, tendo os homens da atualidade esquecidos de seus filhos para unicamente “vivenciarem seus prazeres”, pois são incapazes de lidar com os “aborrecimentos da paternidade”. Nunca vimos como hoje tantas crianças “órfãs de pais vivos”, que necessitam lidar com o luto de serem rejeitadas pelo “papai””.

Pode ser forte o que estamos dizendo, porém quem é professor, educador ou lida diretamente com crianças e jovens sabe do que estou falando: a profunda tristeza e amargura que a “falta do mesmo” pode gerar em um ser humaninho (desculpem o neologismo).

Ao se divorciarem de suas esposas, muitos desses homens que não conseguem lidar com a frustração, com o não dar, com aquilo que não dominam, que aponta para eles nas suas fragilidades, preferem fazer um esforço para esquecerem de sua história de amor fracassado, e com isso, misturado nesse bolo emocional, esquecem também de seus filhos. Isso é uma franca tentativa de destruir o amor, depreciar o objeto até então amado, mas nesse bojo, transferem de forma lastimável para seus filhos a raiva e o ódio pelo ex-amor.

Porém, com a psicanálise algo nessa situação pode ser pensada, refletida, analisada de um outro ângulo. Vimos acima que pais que não aprenderam a lidar com as frustrações na infância, pois foram poupados dos ditos “traumas”, acabaram se tornando adultos que não sabem lidar com o fracasso de uma relação amorosa e com isso transferem para seus filhos sentimentos que são direcionados a mãe. Se essa lógica psicanalítica está correta, respeitando, evidentemente, as diferenças individuais de cada sujeito, porque são únicos, podemos dizer que, os filhos agora sem seus papais, terão que aprender a lidar com o não da vida, com a impossibilidade, com o não dar. Assim, necessitarão lidar com essa impossibilidade de tê-los em suas vidas. Por esse fato, poderão se tornar homens e mulheres de grande fortaleza emocional, aprendendo desde cedo a lidar com as frustrações para as quais nunca foram poupados.

Ainda a psicanálise mostra que há um grande consolo nisso tudo acima que foi dito, pois o que importa não é a “figura paterna”, e sim a Função Paterna.

A função paterna é a posição que é dada pela criança a uma pessoa e autorizada pela mãe, nunca o contrário. E porque uma criança contempla em alguém aquilo que pode ser seu norte, sua diretriz de certo e errado, seu balizamento emocional que instala a lei em sua vida e por isso lhe trás a segurança, e que é endossado pela mamãe que aponta na direção dessa pessoa, é que a Função Paterna se estabelece.

E quem pode exercer tal função? Qualquer um! Qualquer um que a criança reconheça esse traço de personalidade que gera nela um misto de receio do errado, de carinho, de afeto e, consequentemente, de segurança. Vovô, titio, irmão mais velho, mamãe, titia, vovó, namorado da mamãe, amigo da família, etc. Qualquer um que para criança possa ser seu norte, sua segurança emocional.

Fico com pena de ver que muitas crianças, tal como na figura, reclamam do abandono de seus papais, da ausência deles em suas vidas, porém sei que isso pode ser elaborado e alguém pode exercer uma Função Paterna que muitos desses homens imaturos ainda não estão preparados para exercer.

Pense nisso!

Charles José da Silva. Psicólogo Clínico e Psicanalista. CRP: 05/47.134.

(24) 2452-4478 ou (24) 99817-2071.

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