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A IMPORTÂNCIA DA TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO BIPOLAR

 

 

Evidências sugerem que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) exerce controle sobre os sintomas do Transtorno do Humor Bipolar (THB), atuando sobre o funcionamento social e diminuindo os riscos de recaída. Técnicas que estimulam a discriminação de pensamentos disfuncionais habilitam os pacientes a se tornarem mais independentes e ativos quanto ao transtorno e ao tratamento.

Muitas abordagens psicoterápicas podem ajudar o paciente bipolar a viver com mais qualidade de vida. Entretanto, quando existem objetivos bastante claros a serem buscados, no menor tempo possível, além de uma atenção continuada ao paciente e do paciente, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) se destaca em sua efetividade (Sudak, 2008), demonstrada na moderação dos estados de humor e na mudança de comportamento dos pacientes portadores de Transtorno do Humor Bipolar ([THB], Newman, Leahy, Beck, Reilly-Harrington, & Gyulai, 2006).
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O THB é uma doença psiquiátrica severa, crônica, recorrente, de curso variável, que se manifesta em episódios oscilantes entre depressão maior e mania, no caso do THB Tipo I, ou hipomania, no THB Tipo II (Basco, McDonald, Merlock, & Rush, 2004), durante os quais podem ocorrer mudanças extremas tanto no estado de ânimo, como nas cognições e nos comportamentos (Ramírez-Basco & Thase, 2003).
A distinção entre mania e hipomania está na intensidade dos sintomas, sendo a mania caracterizada pelo humor persistente e anormalmente elevado, expansivo ou irritável, associados à grandiosidade, necessidade diminuída de sono, pressão para falar, fuga de idéias, distraibilidade, aumento da atividade dirigida a objetivos ou agitação psicomotora e envolvimento excessivo em atividades prazerosas.
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A mania costuma ser mais prejudicial ao funcionamento social e ocupacional do paciente (Moreno, Moreno, & Ratzke, 2005), freqüentemente levando à internação, enquanto a hipomania é semelhante à mania, mas mais branda e menos incapacitante. A hipomania envolve euforia ou irritabilidade, além de hiperatividade, diminuição da necessidade de sono, aumento da sociabilidade, aumento de atividades físicas e da busca por atividades prazerosas (Moreno et al., 2005), embora esses sintomas sejam menos nocivos ao funcionamento do paciente, a crítica permaneça preservada (Lotufo Neto, Yacubian, Scalco, & Gonçales, 2001) e a duração do episódio seja menor (Moreno et al., 2005).
Como se pode constatar, já existe um grande número de pesquisas abordando a eficácia da TCC para o THB. Foram observadas adaptações específicas da TCC para o transtorno, embora essas não sejam unânimes para os autores e, ao mesmo tempo, não sejam excludentes entre si. Dentre essas adaptações, pode-se destacar a inclusão de estratégias para identificação de sinais precoces de depressão, a prevenção de recaídas, além de psicoeducação para o paciente e seus familiares. Isso talvez se dê não apenas em função de uma falta de integração/uniformização entre os pesquisadores, mas também em função das características do transtorno, que apresenta diversas manifestações.
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SINTOMAS DA HIPOMANIA
Observou-se que, nos estudos relatados, as descrições das intervenções mostraram-se insuficientes para a identificação das técnicas empregadas, restringindo-se a uma descrição genérica do modelo cognitivo-comportamental, o que não permite a replicação dos estudos com fidedignidade.
As investigações para a adaptação da TCC se originam no modelo cognitivo em direção à aplicação nas técnicas, ou seja, se parte da teoria para a clínica. No entanto, considera-se importante primeiro conhecer as características da população para a qual o tratamento será desenvolvido e, a seguir, integrar essas observações ao modelo teórico da TCC, para apenas posteriormente realizar modificações na intervenção, sob pena dessa ser ineficiente. Tal conduta demanda a delimitação dos tipos de pacientes que podem ser beneficiados pelas intervenções, bem como identificar as intervenções mais adequadas. Ainda assim, o modelo estruturado da TCC é um aspecto de grande relevância para a pesquisa no THB, pois permite comparar a eficácia de diferentes tipos de tratamento (p.ex.: medicamentoso, cognitivo ou associado). Essa possibilidade tem se mostrado bastante rica para demonstrar a utilidade desse tipo de tratamento psicoterápico em transtornos psiquiátricos, bem como para justificar a integração entre intervenções cognitivas e farmacológicas.
Diversos autores (Knapp & Isolan, 2005; Patelis-Siotis, 2001; Patelis-Siotis et al., 2001; Ramírez-Basco & Thase, 2003; Swartz & Frank, 2001) defendem com vigor o emprego da TCC como auxílio à terapia farmacológica do THB, embora admitam que são esperados mais dados empíricos para estabelecer a razão custo-benefício do acréscimo dessa estratégia (Ramírez-Basco & Thase, 2003). De fato, a pesquisa focada nos processos cognitivos e comportamentais do THB permitiria desenvolver intervenções específicas para o transtorno, o que favoreceria o modelo no âmbito clínico, e endossaria estudos de eficácia, respeitando a natureza da TCC e dos princípios da prática baseada em evidências.
Texto extraído da Revista Interamericana de Psicologia/Interamerican Journal of Psychology – 2010, Vol. 44, Num. 3, pp. 432-441
Autoras:  Adriana da Matta
Denise Balem Yates
Paula Grazziotin Silveira
Lisiane Bizarro
Clarissa Marceli Trentin

 

 

José Elias dos Santos – CRP/RJ. 05/52196 – Especialidade em Terapia Cognitiva Comportamental

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