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AS CONSEQUÊNCIAS DA TIMIDEZ NO APRENDIZADO ESCOLAR INFANTIL

 

 

 

UNIVERSIDADE SEVERINO SOMBRA
PRÓ-REITORIA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E HUMANAS
CURSO DE PSICOLOGIA

 

 

AS CONSEQUÊNCIAS DA TIMIDEZ NO APRENDIZADO ESCOLAR INFANTIL

 

 

 

JOSÉ ELIAS DOS SANTOS

 

 

                                                                                       VASSOURAS – RJ
2016

 

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de  graduação em Psicologia, como requisito parcial para obtenção do grau de psicólogo. Orientadora: Profª Mª Suely Cristina de Souza Fernandes Crahim.

 

 

Dedico este trabalho a minha esposa que me incentivou e me compreendeu nos momentos mais difíceis para a concretização desta vitória.

 

 

                                                                             AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, a Deus por ter me dado forças e sabedoria para a conclusão deste meu curso.
Agradeço a minha orientadora Professora Mª Suely Cristina de Souza Fernandes Crahim que contribuiu para que esta vitória acontecesse.
Agradeço a minha esposa Sheila Menezes Ramos por mais esta vitória.
Agradeço a meus filhos pelo incentivo.
Agradeço a minha amiga Priscila Ramos Fabiano que participou como testemunha de minha primeira matrícula no curso.
Agradeço a meu sócio Valdeci e aos meus colegas de trabalho pelo incentivo e compreensão.
Agradeço a todos que direta e indiretamente contribuíram para o meu desempenho acadêmico.

 

 

 

                                                                                        RESUMO

O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) busca apresentar as consequências causadas pela timidez da criança em idade escolar e ao mesmo tempo apresentar propostas feitas por profissionais da educação da Rede Municipal de Ensino da cidade de Valença/RJ, com o propósito de discutir os significados teóricos dessa temática acerca da necessidade e importância da intervenção psicológica. Essa pesquisa tem como objetivo principal entender quais as soluções que vêm sendo apresentadas e praticadas por profissionais da educação em seus cotidianos, que já passaram ou passam por esta experiência com alunos considerados tímidos, ao ponto de prejudicá-lo(s) no desenvolvimento escolar. Buscamos investigar a timidez não apenas no âmbito restrito da escola, mas também da família. Apresentaremos neste trabalho de pesquisa de campo algumas soluções encontradas para amenizar a situação da timidez na criança através da psicologia. A timidez é um tipo de comportamento que pode provocar males danosos na criança. Sendo assim serão apresentadas formas de terapias mais recomendadas para o acompanhamento de crianças com timidez, principalmente a família como ponto fundamental para obtenção de bons resultados.

Palavras-chaves: Timidez; Família; Aprendizagem; Psicologia

 

                                                                                       ABSTRACT

The present Conclusion of the Course (TCC) seeks to present the consequences caused by the shyness of schoolchildren and at the same time present proposals made by education professionals of the Municipal Teaching Network of the city of Valença / RJ, with the purpose of discussing The theoretical meanings of this theme about the necessity and importance of psychological intervention. This research has as main objective to understand what solutions have been presented and practiced by education professionals in their daily lives, who have already passed or go through this experience with students considered timid, to the point of undermining them in school development. We seek to investigate shyness not only within the restricted context of the school, but also within the family. We will present in this field research some solutions found to soften the situation of shyness in the child through psychology. Shyness is a type of behavior that can cause harm in the child. Thus, more recommended forms of therapy will be presented for the monitoring of children with shyness, especially the family as a fundamental point to obtain good results.

Keywords: Shyness; Family; Learning; Psychology

 

                                             LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Faixa etária dos profissionais entrevistados
Figura 2 – Atividade profissional das entrevistadas
Figura 3 – Tempo de profissão dos entrevistados
Figura 4 – Atendimento a alunos com grau elevado de timidez
Figura 5 – Estratégias e atividades utilizadas pelos profissionais
Figura 6 – Procedimentos adotados pelos profissionais em caso de bullying
Figura 7 – Observação dos profissionais entrevistados
Figura 8 – Como minimizar um comportamento tímido
Figura 9 – Consequências de um aluno tímido no aprendizado escolar
Figura 10 – Obstáculos enfrentados por profissionais com alunos tímidos
Figura 11 – Papel da família em relação a aprendizagem escolar
Figura 12 – Experiências realizadas com aluno tímido com melhora no
desempenho escolar

 

                                                               SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1. REVISÃO DE LITERATURA
2. METODOLOGIA
3. RESULTADOS
3.1 Análise das respostas
3.1.1 Idade
3.1.2 Atividade profissional
3.1.3 Tempo de profissão
3.1.4 Atendimento ao aluno com grau elevado de timidez
3.1.5 Estratégias e atividades realizadas com alunos tímidos
3.1.6 Procedimentos adotados pelos profissionais em caso de bullying
3.1.7 Atividades de interação para alunos tímidos no contexto escolar
3.1.8 Como minimizar um comportamento tímido
3.1.9.Que consequências podem ocorrer no aprendizado de um aluno
considerado tímido
3.1.10 Obstáculos enfrentados pelos profissionais
3.1.11 Papel da família em relação ao aprendizado escolar
3.1.12 Experiências realizadas com alunos tímidos com melhora no.
desenvolvimento escolar
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS

 

                                                                                     INTRODUÇÃO

A timidez é um comportamento que pode trazer grandes consequências na vida das pessoas, principalmente na infância, pois nessa faixa etária a criança tímida pode encontrar inúmeras dificuldades que venham comprometer diretamente a sua aprendizagem.
O tema desse trabalho, apesar de estar presente no cotidiano das escolas, ainda requer muita discussão. O assunto abordado recebeu o título de “As Consequências da Timidez no Aprendizado Escolar Infantil” e os estudos foram pautados em revisões bibliográficas e pesquisa de campo, portanto além de analisarmos grandes autores do assunto, apresentaremos a opinião de vários profissionais da educação através de suas experiências realizadas nas escolas em que trabalham. A pesquisa em questão foi realizada com 20 (vinte) profissionais da Rede Municipal de Ensino da cidade de Valença, RJ: Psicopedagogas, Pedagogas e Docentes.
São inúmeros os conceitos dados por vários profissionais capacitados da área de psicologia em relação ao tema. Para o embasamento teórico desse trabalho, tivemos o cuidado em buscar autores com maior credibilidade no assunto, objetivando fomentar sobre a importância de se encontrar meios que possam minimizar esse comportamento tímido, através do atendimento psicológico.
A criança tímida possui uma preocupação muito grande em relação ao que os outros pensam dela. Sendo assim, podemos observar com esse estudo, a necessidade de um cuidado maior sobre este aspecto também, principalmente em relação ao eminente apoio da família.
Foram vários os motivos que me levaram a escolher o tema timidez para o desenvolvimento deste trabalho. Uns pessoais e outros profissionais. Um interesse em entender como ela aparece, de onde vem e quais são os fatores (internos e/ou externos) que colaboram para o seu crescimento ou diminuição. Algumas indagações brotam neste campo fértil de reflexão a partir da temática proposta, tais como: como esses indivíduos se comportam; quais as atitudes dos profissionais da educação diante desse comportamento; como devem agir a família e os colegas e como a timidez prejudica a criança na relação ensino-aprendizagem. Cabe ainda ressaltar que este trabalho se insere num contexto muito mais amplo, na medida em que articula instrumentos que possam facilitar a vida de uma criança tímida no ambiente escolar.
Em relação ao tratamento, faremos uma abordagem na Terapia Cognitiva Comportamental. Quando se percebe que a timidez da criança está chegando a um ponto insustentável, o mais indicado é buscar ajuda de um profissional.

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                                                                     1. REVISÃO DA LITERATURA

O estudo da timidez e suas consequências no aprendizado escolar infantil tem sido objeto de meu interesse no decorrer da minha formação acadêmica. Neste capítulo serão abordadas algumas definições da timidez, na visão de conceituados autores como: D. W. Winnicott; Bernardo J. Carducci; Andrew R. Eisen e Linda B. Engler; Vicente E. Caballo. Tais conceitos têm como objetivo esclarecer determinadas questões que envolvem crianças com dificuldade em seu aprendizado escolar por consequência de um comportamento tímido.
Os profissionais da educação precisam estar atentos e dispostos a lidar com estas crianças e essas situações de maneira didática e consciente, principalmente na fase inicial de sua educação escolar, mantendo um olhar diferenciado a cada atividade nova que a criança se submeter.
As crianças tímidas mesmo possuindo personalidades diferentes, quando se relacionam com outras crianças também consideradas tímidas tendem a se sentir mais seguras e a timidez pode se manifestar de uma forma disfarçada diante do olhar dos pais e até mesmo dos educadores.
Para Carducci (2012, p. 30): “Embora cada indivíduo tímido tenha uma versão e uma história singulares, adultos e crianças tímidas partilham um traço de personalidade incrivelmente comum, vivido universalmente”. […]
É importante salientar que pais e/ou cuidadores ao perceberem desde cedo quaisquer sintomas de timidez que a criança venha a apresentar, deixe que a mesma tente superar sozinha este incômodo na qual é submetida. Ao enfrentar essas dificuldades, poderá evitar situações que comprometerão negativamente a sua vida adulta.
Carducci (2012, p. 32) vai dizer que “a verdade é que não lidar com a timidez cedo, na infância, pode ter implicações negativas para o comportamento adulto”. […]
Deixar a criança adquirir confiança por si própria, faz com que a mesma se torne mais desinibida, contudo, mesmo se ela ficar assustada ao se deparar com uma situação nova, porém, se ela teve sua autoestima reforçada pelos seus pais, saberá lidar com estas situações e se tornar uma criança bem-sucedida.
Segundo Eisen e Engler (2008, p. 16), “timidez e ansiedade social geralmente começam na infância, mas podem passar despercebidas até o início da adolescência”.
De acordo com os autores, os pais devem estar atentos e detectar o quanto antes, possíveis permanências de comportamento tímido durante um tempo prolongado. Neste caso, vários comprometimentos na vida dessa criança ou adolescente podem ocasionar transtornos irreversíveis.
Entendemos que a timidez pode ser definida também como um alto grau de ansiedade, gerando na criança um mal-estar muitas vezes incontrolável diante de algumas situações. Nosso trabalho abordará, principalmente, situações que acontecem no ambiente escolar. É dentro da escola que a criança tem o primeiro contato com outras crianças e pessoas diferentes do seu convívio social.
A partir dessa nova realidade, os pais e professores começam a observar se o comportamento retraído da criança atrapalha seu desenvolvimento escolar, como também outras circunstâncias da vida.
A criança considerada tímida encontra inúmeras dificuldades que comprometem diretamente na aprendizagem. Os profissionais da educação podem proporcionar uma mudança positiva no comportamento dessa criança, conforme observamos na citação de Eisen e Engler (2008, p. 17-18):
Pode ser que você sempre tenha visto seu filho simplesmente como uma criança tímida e, por isso, sempre tenha respeitado a necessidade dele de tempo para adaptação. Além disso, talvez essa natureza quieta dele tenha sido encarada como um ponto positivo, já que, de modo geral, as crianças tímidas mostram-se mais gentis e educadas, e parecem apresentar menos problemas comportamentais. Pode ser que você tenha notado, contudo, que, pelo fato de seu filho necessitar de muito tempo para adaptar-se, ele não avance em atividades sociais e extracurriculares no mesmo ritmo dos colegas, apesar de ser bem expansivo e confiante em casa com a família e/ ou amigos. Lembre-se: timidez está relacionada à adaptação a situações sociais novas ou desconhecidas. Uma criança tímida pode se comportar da seguinte maneira diante de novos contatos:
 Demorar a se adaptar;
 Ficar isolada;
 Ficar perto de quem cuida dela;
 Falar baixo;
 Chorar, ficar paralisada ou ter acesso de raiva;
 Resistir a novas atividades;
 Precisar observar primeiro antes de participar;
 Hesitar em iniciar uma conversa ou participar de uma;
 Ficar ruborizada com facilidade, olhar para baixo, esconder ou cobrir o rosto com as mãos;
 Fracassar na interação com duas ou mais crianças.

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Crianças tímidas ao se deparar com novas experiências tendem a ficar apreensivas e se esquivam de situações que para elas se tornariam desconfortáveis e permanecem isoladas demorando a se adaptarem a uma nova situação ou a um contato com outras pessoas. Estes fatos podem refletir de forma negativa no seu desempenho escolar.
A timidez e o nervosismo, portanto, são matérias para diagnóstico e para exame em relação à idade da criança. Partindo do princípio de que as crianças normais podem ser ensinadas e de que as crianças doentes desperdiçam o tempo e as energias do professor, é importante estar habilitado a chegar a uma conclusão, quanto à normalidade ou anormalidade dos sintomas em cada caso individual; e sugeri que o uso apropriado da história da criança pode ajudar nesse sentido, isto é, se for combinada com o conhecimento do mecanismo do desenvolvimento emocional da criança. (WINNICOTT, 1982, p. 242).
A criança pode demonstrar sentimento de medo quando for solicitada a desenvolver alguma atividade em sala de aula. Carducci (2012, p. 183) ressalta na atenção que os pais e profissionais da educação deverá ter para entender porque esta criança se comporta desta maneira diante de tantas preocupações que dificulta o seu aprendizado. A criança tímida pode ficar tensa diante de determinada situação e o pensamento automático em saber o que as outras crianças irão pensar dela contribui ainda mais para que a sua inibição se torne mais intensa. Ela então se considera incompetente diante dos demais colegas para executar as suas tarefas escolares e o medo de ser constrangida faz com que a mesma fique nervosa comprometendo toda a interação com as pessoas ao seu redor no ambiente escolar.
As questões de normalidade e anormalidade, muitas vezes geram conflitos na maneira de pensar de pais e professores. Toda criança necessita de atenção, portanto, é importante desconstruir os pensamentos negativos da criança tímida que porventura surgir, atentando sempre para a fala da criança e sua história de vida, o que auxiliará muito o trabalho destes profissionais e dos responsáveis.
O que observamos atualmente nas escolas são crianças cada vez mais desatentas e desinteressadas em participar das tarefas escolares. Este fato pode muitas vezes estar associado ao comportamento tímido de crianças que antes mesmo de frequentar o ambiente escolar, possui pouca afinidade com seus familiares que contribuem de forma indireta para que as mesmas repitam este comportamento dentro da sala de aula. Podemos observar que certas crianças demonstram uma preocupação constante em saber o que os outros estão pensando dela. Com isso, deixam de participar quando estão diante de pessoas e este comportamento pode refletir no ambiente escolar diante da professora em sala de aula. Ao ser perguntado diante dos colegas, a criança tímida evita responder ou quando responde, fica sempre cabisbaixa.
À medida que as crianças crescem, começam a prestar mais atenção ao que os outros pensam a respeito delas. Portanto, além de abordar com cautela situações novas, algumas crianças podem se tornar introvertidas. Talvez você já tenha notado isso em seu filho; ele pode parecer ter medo de ser o centro das atenções, talvez preocupado em cometer um erro ou de parecer bobo. (EISEN e ENGLER, 2008, p. 18-19)
A timidez muitas vezes pode estar relacionada com o que a criança ouve das pessoas. Esse fato pode desencadear nela, aspectos positivos e/ou negativos dependendo da forma que a fala é colocada.
Eisen e Engler (2008, p. 20) afirmam: “Para algumas crianças e adolescentes, contudo, o medo de errar é tão grande que evitam se expor em qualquer circunstância”. Diante de determinadas situações em que a criança se expõe publicamente, principalmente na escola quando diante dos colegas, ela se sente amedrontada ao se deparar com tal situação e pode desenvolver transtornos fisiológicos que fazem com que a mesma se sinta constrangida.
Ansiedade social e ansiedade por desempenho podem atrapalhar o rendimento escolar, as interações com os colegas e o bem-estar familiar de uma criança ou adolescente. Mas é importante ter em mente que a maioria das crianças é geralmente bem ajustada, especialmente se a ansiedade social e a ansiedade por desempenho estão limitadas a uma ou duas situações. Para algumas crianças ou adolescentes, contudo, a ansiedade social e a ansiedade por desempenho tornam-se tão amplas que afetam todas as áreas de sua vida. Qualquer tipo de situação social que potencialmente envolva um conflito é encarada com grande ansiedade, ou é totalmente evitada. (EISEN e ENGLER, 2008, p. 21-22).

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Entendemos que crianças que passam por várias situações, nas quais tenham que apresentar trabalhos em sala de aula, interagir com colegas nos trabalhos de grupo e até mesmo junto de seus familiares, tendem a apresentar ansiedade social e ansiedade por desempenho e consequentemente pode haver uma queda em seu rendimento escolar. Portanto, é importante observar se estas situações se repetem com maior frequência, a fim de evitar que esta ansiedade tome uma proporção maior, fato este, que poderá influenciar negativamente no convívio social e familiar da mesma. A ansiedade torna-se natural quando estes transtornos ocorrem somente por um tempo e a criança vai se ajustando e, então, se adaptando ao ambiente que se encontra, conforme observamos na citação de Eisen e Engler (2008, p. 22):
Possivelmente, você pensa que seu filho tímido vai superar os receios sociais e então se preocupa que ele esteja desenvolvendo fobia social (que engloba uma ampla gama de situações sociais ou de desempenho, e o temor geral de se sentir constrangido ou humilhado). De acordo com nossa experiência, as crianças ou adolescentes com fobia social podem apresentar qualquer um dos seguintes receios ou características de personalidade:
 Timidez;
 Inibição;
 Ansiedade social e por desempenho;
 Medo de avaliação negativa;
 Medo de ser reconhecido e avaliado;
 Medo de ser o centro das atenções;
 Egocentrismo;
 Medo de rejeição;
 Evitação fóbica (fuga de situações que podem provocar fobia.
Com base nos itens acima citados pelos autores, podemos então observar que uma criança tímida pode demonstrar inibição e ficar calada diante das pessoas, como também se sentir constrangida ao perceber que está sendo avaliada. Ao mesmo tempo em que foge de ser o centro das atenções, pois sente um forte medo de ser rejeitada. Com isso, a criança considerada tímida evita frequentar a escola como forma de amenizar estes sintomas e consequentemente permite que a ansiedade social que está ligada diretamente com sua timidez se torne cada vez mais intensa, gerando assim um círculo vicioso.
Cada criança tem seu temperamento, seja ele tímido, extrovertido, agressivo, porém, o que abordamos neste trabalho é como o temperamento tímido de uma criança pode interferir negativamente em sua vida escolar.
Podemos observar que em determinados casos, a baixa frequência de interação social pode ser decorrente de baixa aceitação social da criança. Quando esta criança se isola do grupo como fuga/esquiva de situações geradoras de ansiedade, ela entra num processo de retraimento que se diferencia de rejeição ou indiferença, que é quando a criança é isolada por seu grupo e sofre rejeição ou é esquecida pelo mesmo.
Geralmente, a família e os profissionais que mantêm relação com as crianças tímidas apresentam questões como as seguintes: Por que é tímido? Devido a quê meu filho tem medo de se relacionar com os demais? Por que minha filha é tão tímida e meu filho não o é, se os educamos da mesma maneira? Nasce-se tímido ou se aprende a comportar-se como tímido?
As respostas a estas perguntas requer uma atenção minuciosa por parte dos pais e profissionais da educação com o objetivo de avaliar detalhadamente cada situação no momento em que a criança se encontra. Vários fatores podem influenciar de maneira positiva ou negativa dependendo da forma com que aquela criança é conduzida, mas está claro que a origem exata da timidez continua desconhecida.

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O ambiente familiar pode influenciar muito no temperamento de uma criança tímida quando em determinadas situações, os pais para que seus filhos não sintam constrangidos não permitem que eles interajam com outras pessoas, sem perceber que agindo assim estão contribuindo ainda mais para alto grau de ansiedade social que causa tanto sofrimento para aquela criança. É importante observar o que é dito à criança sem enfatizar os pontos negativos para que ela se sinta segura e aprenda a enfrentar seus medos como forma de superar a ansiedade. (KEARNEY, 2005, apud EISEN e ENGLER, 2008, p. 29-30)
De acordo com o que foi analisado, podemos perceber que certas reações físicas podem ser causadas pelo pavor de se expor em público ou toda vez em que a criança é solicitada. Por ignorância dos pais, muitas vezes, essa criança é poupada de certas situações para que não se sintam constrangidas. Essa atitude acaba aumentando ainda mais o grau de ansiedade de seu filho.
Deparamos com situações que a timidez é tão intensa que a criança mesmo sentindo o desejo de interagir com o meio social que se encontra, não consegue se socializar devido a um alto grau de inibição. Este fato pode contribuir para que a situação de isolamento aconteça desenvolvendo na mesma, conflitos internos que podem comprometer o seu emocional. Esses conflitos, além de se constituírem um problema em si mesmos, interferem negativamente na aprendizagem acadêmica, influenciando também em sua função social.
As crianças que permanecem a maior parte de seu tempo, sozinhas, comunicando-se com pouca frequência com as outras pessoas, podem estar desenvolvendo um quadro depressivo, mais é importante deixar claro, que não se pode diagnosticar uma criança com depressão pelo fato da mesma querer ficar isolada, o que pode ser temporário. A apresentação de vários sintomas com bastante frequência pode nos levar a crer que esta criança poderá desenvolver um transtorno depressivo.
A depressão, por fim, pode também ser vista como um distúrbio. Para que isso ocorra, as crianças e adolescentes devem apresentar pelo menos cinco sintomas todos os dias, por, pelo menos, duas semanas. Os sintomas característicos incluem tristeza, falta de interesse em quase todas as atividades, irritabilidade, fadiga, problemas de sono, perturbações no apetite, sentimentos de inutilidade, culpa e pensamentos de morte e suicídio. (Associação Americana de Psiquiatria, 2000, apud EISEN e ENGLER, 2008, p. 40).
Somos levados a acreditar que a dificuldade de resolver situações escolares ou familiares, e dificuldade de suportar atividades cotidianas, são características da depressão infantil, provocando assim uma irritação na criança.
A depressão infantil é, geralmente, expressa como irritabilidade ou mau humor. A irritabilidade é um dos muitos sintomas comuns, ocorrendo em aproximadamente 80% dos jovens que sofrem de algum distúrbio depressivo. (GOODYER E COOPER, 1993, apud EISEN e ENGLER, 2008, p. 41).
Muitas crianças por consequência da timidez podem desenvolver outras dificuldades em sua aprendizagem escolar, que denominamos de pragmática.
Podemos mencionar por exemplo, algumas características analisadas por Carducci, (2012, p. 186):
 Tem problemas para dormir, ficando sonolento ou tendo dificuldade para levantar de manhã, durante a semana, mas dorme normalmente nos fins de semana;
 Só consegue tomar um café da manhã rápido ou almoçar pouco;
 Perde o interesse por seus pratos preferidos;
 Fala sobre seus medos da escola;
 Diz apenas coisas negativas sobre a escola ou não fala sobre a escola;
 Fica mais apegado ou irritado que o habitual;
 Tem mais problemas de comportamento domingos à noite ou segundas-feiras de manhã;
 Reclama de dores de estômago e de cabeça, ou de outros problemas físicos vagos;
 Expressa pouco interesse na escola antes de o ano escolar começar;
 Pode interagir socialmente fora do ambiente escolar, mas não dentro dele.
De acordo com esses tópicos mencionados acima, podemos observar que crianças com problemas de timidez, às vezes têm seu comportamento extremo; tendem a ficar mais tensas, por exemplo, no domingo à noite, devido a ansiedade de saber que no dia seguinte terá que enfrentar por mais uma semana a rotina escolar e com isso pode apresentar insônia na noite anterior, ficando sonolenta durante a aula, comprometendo o seu rendimento escolar. A ansiedade pode se tornar intensa de forma que a criança perca o apetite, até para seus pratos preferidos; demonstra
um grau elevado de irritação podendo aparecer diversos sintomas físicos que fazem com que a criança não tenha interesse em participar das aulas devido ao medo que sente só de pensar em ir à escola.
Os pais de crianças tímidas devem dedicar toda a atenção e apoio a elas, motivando-as a superar essas barreiras e a saírem de sua zona de conforto para conseguir administrar uma nova etapa escolar sem a presença deles.
O presente capítulo retrata como acontece todo o envolvimento entre os profissionais da educação e os alunos considerados tímidos mediante as demandas oriundas dos setores educacionais. Alguns autores apontam para a problemática que estes profissionais tendem a enfrentar quando se trata de timidez infantil. Para constatação destes fatos, elaboramos pesquisa empírica no capítulo seguinte onde poderemos observar com maior clareza através de gráficos, a prática realizada nas escolas com atitudes, estratégias e intervenções das profissionais para estimular o aluno tímido a administrar todo este sofrimento que a timidez pode causar.

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                                                                      2. METODOLOGIA

Para a realização deste trabalho, utilizou-se a seguinte sequência metodológica:
•Estudo e complementação de fundamentos pertinentes ao tema do conteúdo teórico;
•Levantamento bibliográfico de livros e de artigos disponíveis na internet que tratam a respeito do tema em estudo;
•Elaboração dos fundamentos teóricos que sustentem o trabalho;
•Elaboração de pesquisa de campo através de entrevistas realizadas com profissionais da educação.
Foram entrevistadas 20 (vinte) profissionais do sexo feminino, numa faixa etária entre 20 e 70 anos de idade, através de questionário com 12 (doze) perguntas abertas. Destas, 03 são Psicopedagogas, 04 são Pedagogas e 13 exercem a docência em sala de aula. Em primeiro lugar foram analisados os dados referentes a todas as participantes, assim como suas respostas em relação a cada atuação profissional diante do comportamento tímido discente.
O questionário foi aplicado individualmente às profissionais da educação, pelo próprio pesquisador, no período de novembro a dezembro de 2015, nas instituições de ensino na qual cada uma trabalha.
Após a coleta de dados partiu-se para uma análise dos resultados: reconhecer sintomas, características e tratamentos que possam minimizar esse comportamento, principalmente em crianças em fase escolar.

 

                                                                             3. RESULTADOS

Abordaremos em nosso trabalho com o objetivo de conciliar a teoria e a prática, pesquisas realizadas com profissionais de diversas áreas da educação tendo como finalidade entender como estes profissionais atuam diante de crianças consideradas tímidas e as consequências que influenciam direta ou indiretamente, no aprendizado proveniente destes comportamentos.
Dessa forma definiu-se como primeiro procedimento, entender a prática desses profissionais de educação, que atuam de forma concreta diariamente no contexto escolar.
3.1 Análise das respostas ao questionário aplicado aos profissionais da educação
A relevância da atuação de cada profissional de educação permitiu a observação de uma gama de procedimentos aplicados a alunos com características tímidas, tornando a pesquisa amplamente esclarecedora e eficaz em seu propósito.

3.1.1 Idade
Analisando-se o gráfico referente à idade, observa-se que 40% das profissionais estão na faixa entre 30 e 39 anos de idade, 20% encontra-se na faixa entre 20 e 29 anos de idade, 25% na faixa entre 40 e 49 anos, 10% na faixa entre 50 e 59 anos de idade e 5% incluem-se na faixa entre 60 e 69 anos de idade. Esses dados nos permite identificar que 65% estão na faixa entre 30 e 49 anos de idade, constatando a maioria dos profissionais entrevistados.

Gráfico 1 – Faixa etária dos profissionais entrevistados

Fonte: Dados da pesquisa, 2015.

3.1.2 Atividade Profissional
Constata-se que os 20 profissionais entrevistados possuem atividades diferentes, sendo que 65% atuam em salas de aula na profissão de professora, 15% exercem a profissão de psicopedagogas e 20% destas profissionais são pedagogas em escolas.

Gráfico 2 – Atividade Profissional das Entrevistadas.

Fonte: Dados de Pesquisa, 2015.

3.1.3 Tempo de Profissão
O gráfico demonstrado abaixo aponta para o tempo em que cada profissional atua na sua respectiva área educacional. Dentre elas, temos 20% de 0 a 5 anos, 35% entre 6 a 10 anos, 15% de 11 a 15 anos, 20% de 16 a 20 anos e 10% de 21 a 25 anos. Podemos observar que a maioria dos profissionais possui um maior tempo de experiência dentro de sua profissão, ou seja, 80% com mais de 6 anos de experiência.

Gráfico 3 – Tempo de Profissão dos Entrevistados.

Fonte: Dados da Pesquisa, 2015.

Considerando-se os gráficos referentes a idade, atividade profissional e tempo de serviço, pode-se afirmar que os profissionais entrevistados atuam diretamente com os alunos tímidos, que são objetos desse estudo, e possuem um relevante tempo de experiência na área.

3.1.4 Atendimento ao aluno com grau elevado de timidez
Das 20 profissionais da educação entrevistadas, observamos o grau de envolvimento diante de crianças consideradas tímidas. Neste contexto, 80% responderam que já vivenciaram algum tipo de experiência relacionadas com alunos considerados extremamente tímidos, enquanto que 20% disseram que não presenciaram este tipo de experiência. O gráfico a seguir vem demonstrar os índices comentados acima.

Gráfico 4 – Atendimento a alunos com grau elevado de Timidez

Fonte: Dados de Pesquisa, 2015.

3.1.5 Estratégias e Atividades realizadas com alunos tímidos
De acordo com as profissionais entrevistadas, diversificar as atividades em grupo, é uma forma de minimizar um comportamento tímido de um aluno que merece todo respeito. As consequências no aprendizado escolar do aluno tímido pode se tornar grave se não houver um espaço em que ele possa expressar sua opinião sem julgamento de valores. Veremos no gráfico a seguir, além das atividades realizadas e das estratégias aplicadas, como a participação da família é de suma importância para encorajar os profissionais da educação a lidar com a timidez.
Este gráfico também nos mostra que incentivar as crianças tímidas a fazer leituras, organizar círculos com os demais colegas de classe, são ações que contribuem muito para minimizar a timidez e consequentemente auxiliam na evolução do aprendizado destas crianças.
Como podemos observar 45% dos profissionais da educação, em sua maioria, optaram por utilizar a estratégia de promover a integração do aluno tímido em sala de aula, afim de criar vínculos que facilitem a interação destes alunos com os outros colegas de classe. É importante ressaltar aqui a opinião de alguns profissionais que buscam fazer do ambiente escolar uma participação efetiva do aluno tímido. Vimos que as atividades em grupo adotadas por estes profissionais também contribui muito para que a timidez seja amenizada. Neste aspecto, 30% dos profissionais acreditam que promovendo debates em sala de aula, realizando trabalhos em dupla, incentivando a participação em brincadeiras, entre outras, podem auxiliar ao aluno tímido a tornar-se mais participativo, sempre utilizando uma das estratégias principais que é respeitar o direito do aluno quanto ao seu espaço e seu tempo. Observamos também que 15% das entrevistadas preferem adotar atividades musicais e teatrais para estes alunos, como forma de incentivo a se expressar de maneira mais clara suas emoções.
Neste contexto, o aluno considerado tímido poderá melhorar gradativamente a sua participação em sala de aula. Outros profissionais da educação em sua minoria, correspondente a 10%, perceberam que fazendo atividades com leituras, seria uma estratégia de incentivar o aluno tímido a encarar a sua timidez de forma mais natural, proporcionando uma reflexão de que ele é capaz de superar este transtorno que tanto lhe causa sofrimento.

Gráfico 5 – Estratégias e Atividades Utilizadas Pelos Profissionais.

Fonte: Dados De Pesquisa, 2015.

3.1.6 Procedimentos Adotados pelos Profissionais em caso de Bullying
Algumas profissionais concordam com a mesma ideia sobre este assunto e cabe ressaltar que diante do que foi pesquisado, veremos no gráfico a seguir diversos procedimentos adotados para que o respeito pelo colega de classe seja prevalecido, procurando melhorar a autoestima do aluno tímido, a fim de evitar que o bullying ocorra entre estas crianças consideradas tímidas. Vejamos a seguir que 60% das entrevistadas disseram que conversar com os colegas sobre o bullying seria uma forma de conscientizar toda a classe sobre o incômodo que causa nos colegas, principalmente no aluno tímido. Algumas professoras adotaram como estratégia para evitar este problema, realizar intervenções rápidas sobre o assunto em pauta, elaborar projetos, pesquisas, discussões, manter o diálogo. Segundo as profissionais é fundamental neste momento deixar claro para os alunos, que somos diferentes e precisamos respeitar essas diferenças.
Foi relatado também que a busca por uma orientação pedagógica seria recomendável e que as famílias deveriam ser comunicadas nestes casos e, em situações extremas, até mesmo a presença do Conselho Tutelar se faz necessário. Respeitar as diferenças foi uma das questões abordadas por 25% dos profissionais que entenderam que conscientizar os supostos alunos causadores do bullying sobre os danos que este ato provoca, poderia deixar os alunos tímidos mais seguros e confiantes. O ato de praticar bullying é considerado crime e na visão de 15% das profissionais, esta seria outra reflexão para ser comentada em sala de aula.

Gráfico 6 – Procedimentos Adotados pelos Profissionais em Caso de Bullying

Fonte: Dados de Pesquisa, 2015.

3.1.7 Atividades de Interação para Alunos Tímidos no Contexto Escolar
De acordo com a entrevista feita com estas profissionais, observamos relatos relevantes das mesmas. Entendemos a partir dos comentários demonstrados no gráfico a seguir, que o aluno tímido deverá ser observado com atenção pelos profissionais da educação, a fim de evitar que tal timidez torne-se desconfortável e com isso o seu aprendizado seja afetado.
Na visão de algumas profissionais, 40% disseram que estes alunos ficam calados e isolados dos demais colegas, o que torna difícil para estas profissionais lidar com a situação. Mostrar ao aluno que ele tem capacidade para descobrir algo novo faz com que ele se sinta confiante e a probabilidade de desenvolver suas atividades é maior, devido à submissão e dificuldade para iniciar uma conversa, no relato de 20% das profissionais. Já 15% das entrevistadas entendem que incentivar o aluno tímido a participar mais das atividades escolares pode contribuir para que a interação aconteça gradativamente, apesar de ser um processo lento.
O professor deve observar diferentes ambientes e contextos e nunca desistir do aluno. Esta fala nos retrata, como demonstrado no gráfico abaixo, que 10% dos entrevistados perceberam que a exclusão de atividades é outro fator que dificulta a interação do aluno considerado tímido, causando no mesmo, sentimentos de angústia. Enfim, no relato de 5% dos entrevistados, o aluno tímido demonstra sentimentos de insegurança e que a ansiedade é constante dentro da sala de aula.
Segundo estas profissionais de educação, os estímulos devem acontecer frequentemente para que este aluno se sinta seguro. E 5% apontaram para o cuidado que se deve ter quando o aluno não interage, usando o colega como “muleta”, enquanto outros 5% associaram a dificuldade de interação à falta de atenção do professor com o aluno, pelo fato destes alunos considerados tímidos “não dar trabalho” e com isso a timidez pode ser reforçada. Portanto, é importante que a atenção seja focada junto aos alunos considerados tímidos para que haja um crescimento em sua autoestima.

Gráfico 7 – Observação dos Profissionais Entrevistados

Fonte: Dados de Pesquisa, 2015.

3.1.8 Como Minimizar um Comportamento Tímido
Minimizar um comportamento tímido nem sempre é uma tarefa fácil e requer empenho e dedicação por parte dos profissionais que atuam diretamente com estas crianças dentro do espaço estudantil.
Na visão dos autores Eisen e Engler (2008, p.163), algumas estratégias poderão ser aplicadas com a finalidade de facilitar a interação entre os colegas de classe. Estes autores apontam para o cuidado que os profissionais devem ter ao lidar com situações que podem expor as crianças tímidas ao risco de serem menosprezadas e/ou rejeitadas.
Os profissionais em entrevista realizada nas escolas, quando perguntados sobre o que pode ser feito para que o comportamento tímido seja minimizado, 55% responderam que a participação dos alunos em todas as atividades e grupos seria fundamental para alcançar este objetivo. 15% destes profissionais optaram por encaminhar estes alunos considerados tímidos a buscarem ajuda terapêutica. Evitar situações constrangedoras foi observado na opinião de 5% dos profissionais entrevistados. 5% tem em comum a ideia de que trabalhar a autoestima contribui muito para amenizar tal comportamento. Alguns profissionais, entre eles, 5% ressaltam que conversar com a família sobre o assunto seria outra estratégia facilitadora para melhorar este comportamento e 15% acreditam que a participação
destes alunos em atividades teatrais, musicais e jogos poderá resgatar a confiança e a segurança dos mesmos.

Gráfico 8 – Como Minimizar um Comportamento Tímido.

Fonte: Dados de Pesquisa, 2015.

3.1.9 Consequências que podem ocorrer no aprendizado de um aluno considerado tímido
Carducci (2012, p. 186), fala das inúmeras consequências de como a timidez afeta o rendimento escolar de uma criança. As preocupações e os medos podem se tornar frequentes toda vez que estes alunos se deparam com situações em que são expostos a falar sobre determinado assunto dentro da sala de aula.
O que esta pesquisa nos mostra, como veremos no gráfico a seguir, são profissionais preocupados com as possíveis consequências que podem afetar o aprendizado, literalmente.
Podemos observar que 60% dos profissionais entrevistados entendem que a falta de coragem para tirar dúvidas em aula, pode desenvolver no aluno tímido graves consequências para que o aprendizado fique prejudicado. Outra consequência abordada por 15% dos profissionais foi o isolamento destes alunos. E 15% responderam que a ansiedade, a depressão, o medo e a insegurança pode afetar diretamente todo o aprendizado. O aluno tímido pode perder o interesse pelos estudos e consequentemente poderá ocorrer um bloqueio de aprendizagem. Este foi o relato de 10% dos profissionais entrevistados.

Gráfico 9 – Consequências de um Aluno Tímido no Aprendizado Escolar

Fonte: Dados da Pesquisa, 2015.

3.1.10 Obstáculos enfrentados pelos profissionais
Dentre os obstáculos enfrentados pelos profissionais da educação para lidar com a timidez, o gráfico a seguir nos mostra a importância da família diante de uma integração mais consistente com a escola.
O despreparo de alguns profissionais vem demonstrar um entrave no processo de evolução do aluno e sua timidez. Observamos também que o aluno tímido precisa ser socializado e esta socialização muitas vezes não acontece, fato este, que leva os profissionais a se preocuparem com as dificuldades em incentivá-los a participar de atividades, leituras, etc.
Diante do relato destes profissionais, vimos que 35% apontam para a falta de capacitação entre; 20% acreditam que há resistência ou ausência da família diante do comprometimento com o desenvolvimento escolar do aluno; 10% dos profissionais encontraram dificuldades por parte dos alunos tímidos em participar de atividades; 10% entenderam que a falta de leitura influencia diretamente neste aspecto; 10% relataram há falta de socialização dos alunos tímidos; 5% associaram ao excesso de alunos dentro da sala de aula; 5% disseram que a superproteção dos pais pode ser prejudicial; 5% relataram ser a falta de interação com o grupo.

Gráfico 10: Obstáculos enfrentados por profissionais com alunos tímidos

Fonte: Dados da pesquisa 2015

3.1.11 Papel da família em relação a aprendizagem escolar
No gráfico anterior vimos como o papel da família é importante no processo de aprendizagem do aluno tímido. O que vem a ser demonstrado no gráfico a seguir é como estas famílias podem contribuir para ajudar seus filhos considerados tímidos a melhorar o seu aprendizado. 50% dos profissionais entrevistados disseram que a união entre a família e a escola é primordial neste contexto; 15% responderam que procurar a ajuda de um especialista seria a melhor opção pelas famílias; 10% relataram que as famílias deveriam participar mais das atividades promovidas pela escola; 5% disseram que buscar estratégias para ajudar o aluno tímido seria uma forma de amenizar a sua timidez; 5% relataram que a família deveria informar ao professor sobre o comportamento em casa da criança tímida; 5% responderam que é papel da família, encorajar e elogiar seus filhos em suas atividades e atitudes; 5% acreditam que a família jamais deverá maximizar o “problema” e nem colocar a criança como “vítima”; 5% disseram que oferecer à criança o desenvolvimento da identidade e autonomia seria a melhor forma que a família poderia contribuir.

Gráfico 11: Papel da família em relação ao aprendizado escolar

Fonte: Dados da pesquisa 2015

3.1.12 Experiências realizadas com alunos tímidos com melhora no desenvolvimento escolar
Algumas experiências foram realizadas pelos profissionais com alunos tímidos e nos relatos destes profissionais como veremos no gráfico a seguir, o desempenho escolar destes alunos obteve grande êxito no que se refere ao comportamento dos mesmos dentro do ambiente escolar. 20% relataram que ao trabalhar a autoestima dos alunos tímidos conseguiram fazer com que os mesmos se sentissem úteis à sociedade; 15% dos profissionais promoveram trabalhos em grupos, em duplas e as conversas informais estimulavam neles a descontração e a motivação para lidar com a timidez; 10% adotaram a “contação de histórias” e diante disso, os alunos tímidos eram estimulados a reproduzir esta história contada através de desenhos, fato este, que melhorou muito o desempenho escolar; 5% disseram que fizeram a leitura de um livro escolhido pelos alunos e promoveram o debate do assunto em uma roda de conversa; 5% responderam que após a presença da família na escola, alguns alunos demonstraram maior desinibição; 5% relataram que ao fazer atividades de dramatização observaram que a timidez dos alunos se tornou menos intensa; 5% colocaram o aluno tímido para assumir a liderança de seus grupos, o que facilitou a sua interação com os demais colegas de classe; 5% perceberam que ao colocar o aluno tímido sentado com outro colega comunicativo, houve uma melhora em seu desempenho; 5% associaram que a própria rotina da sala de aula faz com que os alunos controlem a sua timidez; 5% dos profissionais colocaram as carteiras em círculo para que todos se olhassem entre si; 5% disseram que após estimular a participação, os alunos considerados tímidos obtiveram melhores resultados em seu aprendizado; 5% dos entrevistados utilizaram a dinâmica de grupo durante a participação da família na escola e tiveram resultados positivos no comportamento dos alunos tímidos; 5% preferiram trazer os alunos tímidos para perto e usando o afeto, proporcionaram a confiança entre aluno e professor.

Gráfico 12: Experiências realizadas com aluno tímido com melhora no desempenho escolar

Fonte: Dados da pesquisa 2015

Diante dos resultados apresentados pelas profissionais da educação entendemos que a participação desta equipe multidisciplinar dentro das escolas tem fundamental importância no processo da timidez daquele aluno que chega para cumprir as suas tarefas escolares e não consegue desenvolver seus conhecimentos dentro do educandário. Vimos nos relatos das profissionais que ter um olhar diferenciado para esta criança considerada tímida associado com a interação da família vai de encontro a toda aquela segurança que a criança busca nestes momentos de desconforto causados pela timidez. Quando a timidez passa a influenciar negativamente na vida do sujeito poderá se fazer necessário intervenções psicológicas por profissionais especializados afim de estabelecer um tratamento
adequado para cada caso apresentado através de técnicas e mudanças no comportamento do indivíduo conforme veremos no capítulo seguinte deste trabalho

 

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO

A partir do nascimento, uma pessoa começa a desenvolver suas características baseadas em predisposições inerentes a cada um, ou seja, com o passar do tempo essas características vão se acentuando e forjando a personalidade daquela pessoa. Quando ela se mostra mais fechada, mais sensível em relação a fala ou ações dos outros, é logo nomeado como tímido, quietinho, aquele que não dá trabalho, isso normalmente acontece na escola, onde por vezes, os profissionais custam a detectar que aquele comportamento pode ser prejudicial ao processo ensino-aprendizagem daquela criança.
De tanto falar, apontar as características, o jeito de agir dessas crianças, elas passam a se compararem com seus parentes (crianças também) e, na maioria das vezes se colocam numa posição de inferioridade.
O comportamento de uma criança tímida pode ser tratado, na visão de alguns autores, em diversas linhas teóricas da psicologia, porém o que veremos neste capítulo é como esta intervenção acontece em uma abordagem na Terapia Cognitivo Comportamental com técnicas e habilidades sociais que ajudaram e ainda continuam sendo de grande importância em tempos contemporâneos para aquelas crianças que encontram dificuldades de se relacionar dentro ou fora do seu ambiente escolar.
A criança muito tímida não sabe lidar com determinadas situações, principalmente aquelas que necessitam do contato social com pessoas desconhecidas. Quando a timidez se torna excessiva na vida desta criança, todo cuidado se faz necessário por parte dos responsáveis com o propósito de que a mesma não desenvolva déficit de habilidades sociais o que pode ser comprometedor tanto para a sua vida adulta, como também pode influenciar de forma negativa em seu rendimento escolar.
Um dos equívocos mais comuns é o fato de um adulto forçar uma criança tímida a se relacionar em situações mais incômodas para ela, isto só aumenta na criança o seu afastamento, como por exemplo, forçá-la a cumprimentar ou se despedir das pessoas. Conforme contatamos durante a pesquisa realizada, o ideal é que isso ocorra de maneira lúdica, ou seja, envolver os pais nessa interação de uma forma mais indireta com brincadeiras que permitam gradativamente mudanças relevantes diante desse tipo de comportamento.
Para Caballo (2003), verbalizar é de extrema importância quando estamos no contato com outras pessoas, pois é impossível estar em grupo e não se comunicar. É possível até que se negue a falar ou usar da comunicação verbal, mas mesmo assim a comunicação estará acontecendo, por expressões do corpo, do olhar. Nessa perspectiva, observamos que mesmo que a criança não fale (ou não queira falar) o terapeuta buscará meios de entendimento das mensagens ali deixadas pela criança melhorando a interação terapeuta-criança.
Quando a criança tende a se isolar, quando evita se relacionar em ambientes sociais e por vezes quando frequenta estes ambientes, sente medo, nervosismo, sudorese, entre outros sintomas, são sinais de que ela pode estar precisando da ajuda de um profissional habilitado a fazer intervenções e utilizar de técnicas adequadas que poderá contribuir para minimizar estes sentimentos que tanto sofrimento causa na vida desta criança.
Uma das técnicas apropriadas e de fundamental importância no tratamento da timidez infantil, são os recursos lúdicos, que proporcionam condições favoráveis tanto para a criança que expõe ali seus medos e suas dificuldades, como para o terapeuta que através destes recursos poderá analisar cuidadosamente todo o processo que originou a timidez daquela criança com o intuito de adquirir novas estratégias para lidar com a situação durante o tratamento.
O processo terapêutico com crianças utiliza recursos que abrangem: entrevistas com os pais, observação da criança na sessão, em casa ou na escola, uso de desenhos, redação, leituras, inventários de atividades diárias e monitoramento dos comportamentos disfuncionais. (LOHR, 1999; Souza & Baptista, 2001)
O primeiro procedimento adotado pelo Terapeuta Cognitivo Comportamental é fazer uma entrevista inicial com os pais e/ou responsáveis pela criança com a finalidade de promover a escuta dos mesmos sobre toda a história que envolve o paciente a ser tratado. Dependendo dos relatos e do grau da timidez que se apresenta como queixa principal, se farão necessárias outras entrevistas antes mesmo de iniciar o tratamento com a criança. No primeiro atendimento com a criança é importante deixar claro para a mesma que tudo o que for falado e realizado dentro do consultório de psicologia é extremamente sigiloso. Informar também sobre seus direitos diante de tudo que for advindo da parte de seus pais. Isso é fundamental para o bom desenvolvimento do processo terapêutico e para que a transferência aconteça de forma adequada.
Segundo Skinner (1998), algumas formas de controle provocam disfunções como medo ou ansiedade. Podemos chamar de padrões disfuncionais os de fuga ou esquiva as inabilidades comportamentais que surgem no ambiente onde há negligência ou abandono da estimulação social.
Um dos problemas que podem estar interligados a timidez apresentada é o MS (Mutismo Seletivo) caracterizado pelo fracasso que a criança tem de interagir com as pessoas, com os colegas de classe e não conseguem falar devido a grau intenso de ansiedade que provoca um mal-estar e um medo excessivo de lidar com situações novas.
Peixoto descreve o estudo de Hayden (HAYDEN, 1980 apud PEIXOTO, 2006) o qual identificou quatro subtipos de mutismo seletivo:
 mutismo simbiótico, caracterizado por uma relação simbiótica com aquele(a) que cuida dele(a) e por uma relação negativista e manipuladora controlando os adultos em volta dele(a);
 mutismo com fobia para falar, caracterizado por um medo de escutar sua própria voz, acompanhado de comportamento obsessivo-compulsivo;
 mutismo reativo, caracterizado por timidez, retraimento e depressão, que aparentemente parece ser resultado de algum evento traumático na vida da criança;
 mutismo passivo-agressivo, caracterizado por um uso hostil do silêncio como se fosse uma arma. (PEIXOTO, 2006, p. 24 apud SERRETTI e COSTA-JUNIOR, 2006, p. 141 – 146)

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Podemos observar que o bom relacionamento dentro do ambiente familiar e o diálogo entre os pais e a criança contribuem para que a mesma se sinta segura e mais confiante em suas tarefas. Isso facilitará a sua iniciação escolar e os primeiros contatos com os colegas. Através dos recursos lúdicos que citamos anteriormente, o profissional poderá observar se estes fatos descritos estão acontecendo adequadamente no contexto familiar. Pode ocorrer nos primeiros atendimentos, que a criança necessite da presença da mãe dentro do setting terapêutico e o terapeuta por sua vez, acolherá esta mãe no primeiro momento. Nas próximas sessões, poderá proceder com a retirada gradativa da mesma até que a criança consiga permanecer sozinha para atendimento.
As sessões em sala de ludoterapia têm por objetivo promover a autonomia da criança, desenvolver resistência à frustação, flexibilidade comportamental e ainda proporcionar a ela condições favoráveis para lidar naturalmente diante de situações em que seja exposta, tais como: falar publicamente, brincar com os colegas, interagir dentro da sala de aula e até mesmo pedir a professora para ir ao banheiro e/ou beber água, fato este, que para uma criança que não esteja em tratamento, pode ser aterrorizante e por consequência disso poderá fazer suas necessidades fisiológicas na própria roupa, deixando-a ainda mais constrangida.
Para Caballo, (2003 apud SERRETTI e COSTA-JUNIOR, 2006, p. 158), “a comunicação não-verbal é inevitável diante da presença de outras pessoas”. Mais uma vez diante desta fala do autor, vimos quão importante é o brincar na clínica, pois ali no setting terapêutico estão presentes as emoções em que a criança poderá demonstrar nestas brincadeiras e/ou desenhos. A criança muito tímida não consegue se expressar verbalmente e tudo aquilo que gostaria de falar poderá somatizar através de expressões corporais, de gestos. Daí a importância da terapia no tratamento da timidez de que este capítulo retrata.
O terapeuta após estabelecer um vínculo transferencial com a criança tímida, deverá direcionar o foco de atendimento para algumas questões relevantes que o paciente traz para a terapia, entre elas podemos citar o comportamento de fuga / esquiva de situações sociais. A criança sente medo o que pode gerar uma ansiedade acompanhada de dor e sofrimento intenso. Para entendermos melhor o que ocorre nesta situação, é preciso ressaltar que os comportamentos são controlados pelo reforçamento negativo ou por punição. Quando a criança é reforçada negativamente, as respostas que cessam a estimulação aversiva são aumentadas, fato este, que leva o indivíduo a aprender habilidades que o ajudam a se libertar das consequências perturbadoras que ocorrem em determinadas situações de fuga. (SIDMAN, 1995 apud BRANCO E FERREIRA, 2006).
Existem diferenças fundamentais entre o desenvolvimento da terapia para adultos e a terapia para crianças, pois a condição de verbalizar as dificuldades, para os adultos, são mais claras para o entendimento do terapeuta do que com crianças.
Enquanto na terapia de adultos os clientes podem descrever seus comportamentos e relatar seus sentimentos, na terapia infantil o repertório verbal da criança para expressar seus sentimentos e falar de suas lembranças pode ser
restrito e dificultar o caminho do terapeuta no estabelecimento do contato da criança com as variáveis que interferem em seus comportamentos e sentimentos. (KOHLENBERG & TSAI, 2001)
Regra (2001) chama de fantasia o relato verbal de uma história inventada pela criança. Por meio da análise desse relato verbal, o terapeuta pode identificar conceitos e possíveis regras que governam o comportamento da criança, além de verificar se a criança faz parte da história como personagem ou não.
Outra questão da qual citamos é o déficit em assertividade onde a criança não possui autonomia para debater, reagir em determinadas situações em que é confrontada. Diante desta passividade podem ocorrer consequências desastrosas, tais como: frustação, isolamento, perda de oportunidades, etc., que se não tratadas, podem interferir no aprendizado escolar. Estimular a criança a vencer estes obstáculos é também um outro ponto importante a ser elaborado em terapia.
O terapeuta diante de uma avaliação da criança a ser tratada busca uma resposta desejada para cada comportamento que ela apresenta a fim de intervir de forma positiva em alterações comportamentais que poderão ser baseadas no modelo triádico.
O modelo triádico é apontado por Silvares (2001) como um modelo de intervenção no qual as alterações comportamentais desejadas são instituídas a partir da relação entre terapeuta, cliente e um mediador. É importante esclarecer que o modelo triádico não exclui a criança como responsável pela própria mudança comportamental. Este modelo difere do modelo estrutural tradicional – o diático -, no qual as alterações comportamentais são instituídas em ambiente clínico a partir da interação isolada entre o terapeuta e o cliente. (BRANCO; FERREIRA, 2006)
Entende-se que a família é importantíssima no processo terapêutico, pois é no ceio dela que a criança passa a maior parte do tempo. Sendo assim, pai e mãe e/ou responsáveis devem estar lado a lado com a criança neste processo.
Segundo o INPA (Instituto de Psicologia Aplicada), o modelo triádico trata do envolvimento dos pais no processo terapêutico do filho, através de sessões de orientação. Em tais encontros, os pais aprendem alternativas de ajudar o filho, bem como passam a entender o que ocorre no contexto familiar e o que poderia estar gerando ou mantendo o “problema”. Percebe-se, neste modelo, que todo ambiente no qual a criança interage deve ser considerado e também ser foco de intervenção. Neste sentido, pode-se orientar inclusive outros familiares e a escola.
A participação da comunidade escolar torna-se também de fundamental importância na busca do desenvolvimento e crescimento daquela criança que apresenta timidez. Quando falamos de comunidade escolar, estamos nos referindo mesmo a todos aqueles que possuem contato com aquela criança no contexto escolar. A participação de todos nesse processo permite que a criança adquira mais segurança e confiança, melhorando as possibilidades de melhor integração com os outros. Temos, portanto, que colocar todas as possibilidades de melhoria do comportamento daquela criança em prática, não podemos deixar nenhuma possibilidade ficar de lado, por isso a importância da família, da escola e de todos os envolvidos e interessados no desenvolvimento, não só educacional, mas o desenvolvimento integral da criança em questão. Pois quanto maior a sua integração à sociedade mais capaz será de conquistar um futuro sem traumas e dificuldades. Vale ressaltar que a participação de toda a comunidade educativa é de fundamental importância como apoio ao trabalho desenvolvido pelo terapeuta, constatando que a união de todos eleva consideravelmente as possibilidades de melhoria no quadro geral da criança tímida.
Essa pesquisa nos mostra o quanto é importante a percepção dos pais e dos profissionais de educação no processo de encaminhamento da criança ao se deparar com os primeiros sintomas de timidez. A partir deste encaminhamento podemos entender que o terapeuta, no exercício de sua profissão, ao atuar com responsabilidade e ética nos atendimentos a estas crianças que tanto necessitam de ajuda terapêutica proporcionará um bem-estar para as mesmas e consequentemente respostas positivas diante do aprendizado escolar e na interação com os demais colegas de classe, facilitando assim, todo o entendimento dos transtornos provocados pela timidez que vimos no decorrer deste trabalho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante de culturas diferenciadas, desafios que percorrem o cotidiano educacional e exigências de uma sociedade em constante transformação, podemos considerar esse estudo de extrema importância para contribuir com um melhor desempenho de docentes em relação a todas as dificuldades deparadas no dia a dia, com alunos considerados tímidos obtendo assim melhores resultados com os discentes, bem como criando um ambiente que transmita segurança e confiança.
Nessa perspectiva, verificamos através de algumas observações e análises obtidas no desenvolvimento deste trabalho, que os educadores e as instituições de ensino estão de certa forma, realizando diversas atividades quando o assunto é a timidez de suas crianças. Deparamo-nos, durante nossa pesquisa, com a seguinte realidade: o assunto é muito mais comum de ser encontrado do que imaginávamos. A escola é um espaço relevante para que o trabalho de ajuda a estes alunos seja realizado. O importante é a conscientização de todos os envolvidos: aluno, pais, outros membros da família, colegas de classe, profissionais de dentro e de fora de sala de aula, etc… A timidez quando não tratada pode causar danos na vida dessas crianças.
Por meio de pesquisas realizadas com educadores do município de Valença/ RJ, e apresentação através de gráficos no desenvolvimento dos resultados das entrevistas; obtivemos informações de suma importância para o entendimento do assunto abordado neste trabalho. Concluímos, portanto que, com uma orientação adequada aos profissionais da educação, será possível avançar muito quando a dificuldade for a timidez na infância. Porém este avanço poderá se tornar ainda mais eficaz se houver uma participação do psicólogo atuando com o compromisso de cuidar atentamente de cada criança que for encaminhada ao serviço de psicologia, como também promover a escuta para aqueles profissionais que encontram dificuldades em lidar com o comportamento tímido.
Foi imprescindível para a pesquisa ter realizado a entrevista com as profissionais da educação, pois nos deu uma maior clareza acerca do que realmente acontece nas unidades escolares quando o assunto é a timidez de uma criança.
Procurar entender as demandas da família e da escola diante de situações em que a timidez se apresenta, bem como facilitar para que o atendimento psicológico aconteça de forma adequada são fatores importantíssimos para a
prevenção de transtornos que se não tratados, poderão afetar intensamente a vida do indivíduo desde a infância até a velhice.
Para tanto, objetivando equacionar melhores resultados, uma das técnicas que apontamos por acharmos eficaz para esse tratamento são os recursos lúdicos, pois possibilita tanto a criança a apresentar seus medos, anseios e dificuldades, como ao terapeuta em analisar o problema, detectando desde o início, o seu desenvolvimento, direcionando da melhor forma o caminho mais correto a ser seguido para atingir os objetivos da terapia.
Em suma, convém salientar, no sentido de atender a essa demanda, a contribuição do psicólogo nesse contexto, como elemento significativo na solidificação de uma terapia eficaz que possa reconfigurar o cenário educacional no que tange o comportamento tímido de crianças e consequentemente minimizar sofrimentos evitando consequências negativas no aprendizado infantil.

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REFERÊNCIAS

CARDUCCI, B. J. Vencendo a Timidez: como ajudar seu filho a ser afetuoso, extrovertido e se divertir muito. São Paulo: M. Books, 2012.
BRANCO, C. M.; FERREIRA, E. A. P.. Descrição do atendimento de uma criança com déficit em habilidades sociais. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. v. 8, n 1, São Paulo, jun. 2006.
CABALLO, V. Manual de Avaliação e Treinamento das Habilidades Sociais. São Paulo: Santos, 2003.
EISEN, A. R.; ENGLER, L. B. Timidez: como ajudar seu filho a superar problemas de convívio social. São Paulo: Gente, 2008.
INPA (Instituto de Psicologia Aplicada): timidez infantil. Disponível em: <http://www.inpaonline.com.br/servicos/terapia-infantil/>. Acesso em 23/10/16.
KOHLENBERG R. J. & TSAI, M. Psicoterapia Analítica Funcional – Criando relações terapêuticas intensas e curativas. Santo André: ESETEC, 2001.
LOHR, S. S. Problemas na terapia comportamental infantil. In: R.R.Kerbauy & R.C. Wielenska (orgs.). Sobre comportamento e cognição: psicologia comportamental e cognitiva – da reflexão teórica à diversidade na aplicação, pp. 99-104. 1999. Santo André: ARBytes.
REGRA, J. A fantasia infantil na prática clínica para diagnóstico e mudança comportamental. In: Sobre comportamento e cognição: questionando e ampliando a teoria e as intervenções clínicas e em outros contextos. R. C. WIELENSKA (org.), p.179 – 186. 2001. ESETEC, Santo André.
RODRIGUES, C. L. e FOLQUITTO, C. T. Baralho das Habilidades Sociais: desenvolvendo as relações. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2015.
SERRETTI, A. N. M.; COSTA-JUNIOR, F. M. da; Mutismo Seletivo Infantil: Avaliação e Intervenção em Ludoterapia Comportamental. Disponível em <http://www.usc.br/biblioteca/mimesis/mimesis_v31_n2_2010_art_04.pdf>. Acesso em 23/10/16. SILVARES, E. F. M. & MEYER, S. B. Análise funcional da fobia social em uma concepção behaviorista radical. 2000 [On line]. Disponível em: <http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/ index.html>. Acesso em 22/10/16. SKINNER, B. F. Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes. 1998. SOUZA, C. R. & BAPTISTA, C. P. (2001). Terapia cognitivo-comportamental com crianças. Em B.Rangé (org.). Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria, pp. 523-534. Porto Alegre: Ed. Artmed.
WINNICOTT. D. W.; A Criança e o seu Mundo. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1982.

 

 

Autor: José Elias dos Santos – CRP/RJ. 05/52196 – Especialidade em Terapia Cognitiva Comportamental

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