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O TREINO ASSERTIVO ENQUANTO HABILIDADES SOCIAIS

       Artigo apresentado como trabalho de conclusão de curso de Pós-Graduação em TCC ao Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Saúde Mental- Neisme, sob a orientação da Profª. Débora Santos.

RESUMO: A assertividade nos tempos atuais vem sendo um dos comportamentos que o ser humano encontra grandes dificuldades de lidar. Estabelecer a empatia, ou seja, se colocar no lugar do outro em determinadas situações é um fator fundamental para que a comunicação entre as pessoas se torne mais saudável. Neste artigo será abordada, na visão de alguns autores, como as habilidades sociais podem auxiliar o indivíduo a ser uma pessoa assertiva, mantendo o equilíbrio emocional diante de uma comunicação verbal, ou seja, não sendo passivo e nem agressivo com o seu interlocutor, mas sim, expondo a sua opinião diante de fatos rotineiros que se não forem dialogados podem causar sérios transtornos para ambas as pessoas. A Terapia Cognitivo Comportamental possui um importante papel no sentido de promover esse treino assertivo com o objetivo de proporcionar ao indivíduo uma melhor qualidade de vida.

Palavras-chave: Assertividade; Terapia Cognitivo Comportamental; Habilidades Sociais.

ABSTRACT: Assertiveness in the current times has been one of the behaviors that the human being has great difficulties to deal with. Establishing empathy, that is, putting oneself in the other’s shoes in certain situations is a key factor in making communication between people healthier. In this article we will approach, in the view of some authors, how social skills can help the individual to be an assertive person, maintaining emotional balance in the face of verbal communication, ie, not being passive or aggressive with their interlocutor, but Yes, by expressing your opinion in the face of routine facts which, if not discussed, can cause serious inconvenience for both people. Cognitive Behavioral Therapy plays an important role in promoting this assertive training in order to provide the individual with a better quality of life.

Keywords: Assertiveness; Cognitive behavioral therapy; Social skills.

MÉTODO

Foi realizado uma busca bibliográfica pela internet através do site Google Acadêmico, com as palavras-chave: o treino assertivo, habilidades sociais, assertividade, assertividade enquanto habilidades sociais, assertividade como característica da personalidade. Procurou-se incluir os artigos mais recentes em cada subtópico do presente trabalho.  O artigo foi realizado também através de leituras em livros, conforme descritos nas referências bibliográficas.

INTRODUÇÃO

            A assertividade ao longo dos tempos foi um comportamento adquirido pelas pessoas com uma marcante influência, tanto de forma positiva como também de forma negativa, diante da comunicação verbal e não verbal entre o locutor e o interlocutor.

Segundo Skinner (1988/1953) é comum caracterizar-se alguém como “assertivo”, “passivo” ou “agressivo” baseado na forma como esta pessoa se comporta.  

O indivíduo em determinadas situações de intenso descontrole emocional, pode se tornar agressivo e até magoar à pessoa ouvinte, apenas com sua forma de falar. Este mesmo indivíduo após manifestar sua agressividade pode ter um sentimento de culpa, raiva de si próprio ou até mesmo partir para uma agressão física contra a outra pessoa.

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            Pode-se observar também aquele sujeito que ao se confrontar com uma situação de incômodo, não consegue verbalizar a sua opinião e prefere se esquivar, gerando nele um sentimento de mal-estar, uma baixa auto estima, que pode comprometer sua vida cotidiana.

O comportamento assertivo é definido por Alberti & Emmons (1983) como “aquele que torna a pessoa capaz de agir em seus próprios interesses, a se afirmar sem ansiedade indevida, a expressar sentimentos sinceros sem constrangimento, ou a exercitar seus próprios direitos” (p.18), apud FALCONE (2001).

            O indivíduo para manter o equilíbrio emocional diante de uma situação que lhe cause desconforto deve estar atento a diversos componentes verbais e, ter uma percepção de si mesmo, mantendo uma postura adequada que não agrida seu interlocutor e saiba escutar também o que lhe é falado sem julgamentos antecipatórios. Obter uma conduta firme e convicta é de suma importância para conduzir a conversa de forma saudável, expressando sentimentos verdadeiros.

            Os comportamentos assertivos mais diretamente relacionados à efetividade do trabalho em equipe incluem apontar erros/problemas, verbalizar soluções, e expressar e defender as próprias opiniões (SMITH-JENTSCH, SALAS & BAKER, 1996).

Independente do foco do olhar que se dirige ao trabalho, percebe-se que essas mudanças extraordinárias afetaram todos os fatores ligados à formação profissional. Dentre os vários aspectos da formação no terceiro grau, interessa-nos, nesse estudo, as demandas (maximizadas) de relações interpessoais no trabalho. Como dissemos em outro estudo: “os novos paradigmas organizacionais que orientam a reestruturação produtiva têm priorizado processos de trabalho que remetem, diretamente, à natureza e à qualidade das relações interpessoais” (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2001, p. 57).

Quando se fala de assertividade refere-se a diversas áreas dentro do meio social que envolve as pessoas. Pode-se citar um ambiente que o comportamento assertivo se faz presente. Faz-se aí uma referência a muitas empresas que têm como critério a assertividade no seu quadro de funcionários. Dentro de uma empresa, se posicionar diante dos colegas de trabalho de maneira adequada sem impor suas ideias e sem omitir opiniões é importantíssimo para o bom desempenho no trabalho, principalmente se o funcionário exercer a função de liderança.

Segundo Del Prette & Del Prette (2001), a assertividade torna o profissional mais competente e seguro de suas atitudes quando:

  • Há uma preservação do respeito mútuo entre os colegas de trabalho;
  • Não permite a invasão de seu espaço por pessoas consideradas agressivas;
  • Não encontra dificuldades para pedir ajuda mantendo um gesto de humildade;
  • Tem a iniciativa de buscar soluções sem precisar culpar os demais colegas;
  • Consegue passar segurança para as pessoas que se colocam na condição de   passivas;
  • Mantém a sua própria opinião sem deixar que seus medos, sua ansiedade    afete o grupo dentro da empresa.

Segundo Alberti & Emmons (1983), quando uma pessoa expressa suas próprias opiniões e sentimentos de maneira direta, e em um tom moderado, olho no olho, por exemplo, é chamada de assertiva. Esta assertividade da qual o autor se refere se faz necessária no meio social em que se vive afim de evitar que consequências desagradáveis possam ocorrer na interação de duas ou mais pessoas. 

Um bom relacionamento interpessoal depende da inteligência interpessoal, que, segundo Gardner (2001), é a habilidade de entender a motivação das pessoas, a forma de cada um trabalhar e como fazê-lo de forma cooperativa. Moscovici (1995) define a competência interpessoal como a habilidade de lidar eficazmente com outras pessoas, de forma adequada às necessidades individuais e às exigências da situação. (Apud SADIR e LIPP, 2009)

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Educar não é outra coisa que socializar, e por socialização entendemos todos aqueles processos que participam no desenvolvimento de determinadas capacidades e habilidades que ajudem meninos e meninas a se incorporarem e se integrarem à sociedade de uma maneira ativa e participativa. Esta consideração […] implica colaborar, a partir dos sistemas educativos, na formação de indivíduos autônomos, reflexivos, dialogantes e capacitados para participar na resolução dos problemas e conflitos que surjam ao longo de sua própria história (BORREGO DE DIÓS, 1992).

No ambiente escolar por exemplo, depara-se a todo instante com crianças que encontram grandes dificuldades em se expressar quando estão diante de uma situação de desconforto, fato este, que pode estar associado a uma conduta familiar inadequada, onde os pais e/ou cuidadores se expressam de forma agressiva ou se omitem quando são solicitados para expor suas opiniões. A criança por sua vez ao observar estes comportamentos, pode agir assim dentro do ambiente escolar. Perceber cedo esses comportamentos e orientar de forma correta essas crianças, além de promover a autonomia do aluno, contribuirá muito para que na vida adulta ao ingressar em uma Universidade, este indivíduo saiba lidar com os desafios que por ventura possam surgir no ambiente universitário.

Segundo Del Prette e Del Prette (2005), os problemas comportamentais e emocionais, que acompanham os diferentes transtornos psicológicos e que podem se expressar como dificuldades interpessoais na infância, são classificados, na psicopatologia infantil, em dois grandes grupos: os externos (que se expressam predominantemente em relação a outras pessoas) e os internos (que se expressam predominantemente em relação ao próprio indivíduo).

Atualmente pode-se observar constantemente nos ambientes escolares uma grande dificuldade de interação entre algumas crianças nos relacionamentos com os professores e os colegas de classe. Conforme mencionado pelo autor, há crianças que podem desenvolver comportamentos agressivos e não aceitam nenhum tipo de contrariedade demonstrando uma certa resistência em acatar as regras determinadas no espaço estudantil. Esse comportamento, Del Prette e Del Prette (2005), classificaram como sendo externos. Em contrapartida há também aquelas crianças que devido à grande dificuldade de interação com seus professores e/ ou colegas de classe, se comportam de forma reprimidas e alimentam dentro de si um sentimento de angústia, de insegurança e por permanecerem caladas dentro e fora da sala de aula, podem passar despercebidas nestes comportamentos pelos profissionais de ensino, fato este, que podem desenvolver nestas crianças algum tipo de patologia e se não tratados comprometerá a sua vida adulta. Esse tipo de comportamento, os autores citam como internos.  

Segundo Bolsoni-Silva & Marturano, (2006) e Polônia & Dessen, (2005), no tocante ao contexto escolar, a agressividade pode ser decorrência da repetição dos padrões de relações familiares aprendidos ou mesmo da frustração e do próprio fracasso escolar. Ao lado disso, assim como os pais, os professores podem ser modelos inadequados para as crianças.

Um ponto relevante que se pode observar na fala dos autores citados acima, é a observação por parte dos profissionais qualificados dos comportamentos das crianças dentro das escolas, visando aprofundar mais nas origens desses comportamentos. Para tal, se faz necessário uma interação com os profissionais de educação e com os familiares dessas crianças que apresentam dificuldades de se relacionar e/ou aquelas que se comportam de forma agressiva com os demais colegas de classe. Quando tais comportamentos passam despercebidos, a probabilidade dessas crianças ao atingir a vida adulta manifestar um grau de agressividade elevado tanto no espaço acadêmico como entre seus familiares e até mesmo no convívio com os amigos.

A passividade destas crianças pode também aparecer de forma negativa ao longo de sua vida fazendo com o que o sujeito se cale diante de situações que deveria ser mais assertivo.

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As habilidades sociais são requeridas com maior intensidade no âmbito escolar, que proporciona um contato social mais intenso, além de exigir comportamentos mais disciplinados. Porém, muitas vezes, a escola não consegue dar conta de todas as suas demandas tendo dificuldade para lidar com comportamentos considerados inadequados socialmente, como os agressivos, desafiadores, pouco assertivos, introvertidos, entre outros. (RODRIGUES e FOLQUITTO, 2015).

Na visão das autoras, Rodrigues e Folquitto, (2015), o treino assertivo através de habilidades sociais no contexto escolar possui fundamental importância para o bom desempenho disciplinar da criança. Diante dos desafios encontrados pelos profissionais da educação, ensinar e mostrar a melhor forma de lidar com situações de conflito sendo assertiva diante de seu interlocutor, poderá contribuir muito para amenizar os níveis de estresse entre o corpo docente e discente dentro da escola.  

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            Um outro fator determinante relacionado com a assertividade está nos relacionamentos familiares, amorosos. O diálogo entre duas pessoas onde a escuta é priorizada torna a conversa mais agradável e consequentemente as ideias surgem de forma mais clara e objetiva proporcionando assim a solução de alguns conflitos conjugais. Dentro do ambiente familiar a conversa entre pais e filhos deve ser transparente e toda essa conduta passa pelo comportamento de como a pessoa agirá. Se houver uma imposição dos pais, pode desencadear atitudes rebeldes de seus filhos e por outro lado a falta de respeito dos filhos para com seus pais pode também gerar um alto nível de estresse e não conseguirão interagir como gostariam. Já havendo este equilíbrio na expressão verbal entre ambos, o relacionamento entre pais e filhos se tornarão mais saudáveis.

Na visão dos autores Villa, (2018), Del Prette, & A. Del Prette, (2008), a comunicação é uma dimensão vinculada à qualidade das características de comunicação no dia-a-dia e expressão de sentimentos, entre os quais pode se destacar assertividade diante de situações de defesa e controle em eventos de conflito.

Segundo Villa (2008), Del Prette & A. Del Prette, (2008) as práticas educativas negativas envolvem:

Negligência, ausência de atenção e de afeto; abuso físico e psicológico, caracterizado pela disciplina através de práticas corporais negativas, ameaça ou chantagem de abandono e humilhação do filho; disciplina relaxada, que compreende o relaxamento das regras estabelecidas; punição inconsistente, em que os pais se orientam pelo seu humor na hora de punir ou reforçar e não pelo ato praticado e monitoria negativa, caracterizada pelo excesso de instruções independentemente do seu cumprimento e consequentemente pela geração de um ambiente de convivência hostil.

Pode-se observar com o exposto acima, que o comportamento do indivíduo depende da maneira de como a criança é educada já nos primeiros anos de vida. Quando ela se refere a negligência por parte dos pais e/ ou cuidadores, é uma atitude que pode desenvolver nesta criança um isolamento social generalizado comprometendo a sua interação com as pessoas se tornando assim uma criança e/ ou um adulto que age passivamente diante de situações que necessita de um comportamento assertivo.

Por outro lado, se os pais e/ ou cuidadores agem de forma punitiva com seus filhos, expondo a situações constrangedoras, pode contribuir para que futuramente esta criança adquira um sentimento de revolta, raiva em excesso que poderá afetar também em seu comportamento assertivo se tornando agressivo diante das pessoas.

Segundo Patterson, (2002); Patterson, Debaryshe & Ramsey, (1989) apud Marinho, (2015), enquanto alguns dos reforços ao comportamento infantil antissocial apresentados pela família são positivos (rir, ceder, aprovar), o mais importante conjunto de contingências são de fuga-condicional: a criança usa desse padrão de comportamento para acabar com invasões aversivas de outros membros da família (pedidos, exigências, ordens, imposição de regras e sanções etc.). Nessas famílias vigora um sistema social altamente aversivo no qual os comportamentos coercitivos são válidos. (p. 64, 2015)

É importante ressaltar que nessas famílias citadas acima pela autora, as crianças poderão sentir-se inseguras diante das aversões impostas pelos membros da família no que diz respeito à educação. Uma criança que tem permissão dos pais e/ou cuidadores em tudo que gostaria de fazer, pode sofrer sérias consequências em seu comportamento podendo se tornar uma pessoa passiva diante de algumas situações onde a necessidade de dizer “não” se faz necessária. Este indivíduo poderá apresentar dificuldades para expor a sua opinião quando solicitado e concorda com tudo que é falado, não tendo assim sua própria opinião e pode ter sentimentos de baixa autoestima por não conseguir se expressar como gostaria.

Por outro lado, a criança que é educada por pais e/ou cuidadores que impõe regras o tempo todo, que constantemente são agressivos em situações de exagero, podem contribuir para que esta criança desenvolva um comportamento agressivo com as outras pessoas e poderá sofrer também diante de situações onde são confrontadas, não sabendo argumentar de forma clara e precisa, se tornando arrogante e consequentemente se distanciará do seu ciclo de amizades.

“A infância é um período decisivo para a aprendizagem e o aprimoramento das habilidades sociais”. (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2005), apud BORTOLINI (2011).

É nesse período que a criança começa a desenvolver a sua assertividade através de ensinamentos advindos de seus pais e/ou cuidadores. Esses ensinamentos dependendo da maneira como for orientada à criança, poderá repercutir em seu comportamento tanto de forma positiva, como negativamente. Daí a importância de uma atenção minuciosa por parte dos pais e/ou cuidadores proporcionando sempre o incentivo em atividades prazerosas a seu filho (a).

Alberti & Emmons (1983), destacam que quando uma pessoa expressa suas próprias opiniões e sentimentos de maneira direta, e em um tom moderado, olho no olho, por exemplo, a chamamos de assertiva.

Os autores falam de assertividade onde o locutor pode manifestar de forma clara e objetiva toda a sua emoção sem agredir o seu interlocutor e mantendo uma postura que transmita segurança diante de sua fala.

O indivíduo que consegue ser assertivo e manter o equilíbrio emocional ao expor suas ideias, favorece para que a continuação do diálogo se torne agradável sem que haja nenhuma iniciativa de conflito entre ambas as partes. Já quando não há este equilíbrio emocional e o sujeito não consegue falar o que pensa, podemos dizer que ele se encontra em uma posição passiva e ao acatar a fala de seu interlocutor contra à sua vontade, está contribuindo para que o diálogo não aconteça e o desejo de expressão fique reprimido podendo gerar um intenso desconforto para a pessoa.

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“A assertividade se manifesta de forma verbal ou não-verbal, como contato visual, posições do corpo, expressões faciais e gestos, tendo sido identificada já uma série desses componentes”. (ALBERTI & EMMONS, (1983); apud PASQUALI e GOUVEIA (1990). 

Os autores retratam de diversos comportamentos não assertivos quando o indivíduo se depara com situações que geram desconforto e neste momento o estado de ansiedade pode interferir na maneira como este indivíduo irá conduzir diante da situação exposta. Tanto ele poderá se expressar agressivamente dizendo palavras ofensivas ao seu interlocutor como também ele encontrará dificuldades para manifestar sua opinião e omitir a sua raiva expressando tais sentimentos de forma não verbal com o simples gesto de contrair os músculos, engolir seco entre outras…

A pessoa assertiva, mesmo que tenha sentimentos desfavoráveis nesses momentos, como ansiedade, raiva, humor alterado, ela permanecerá com uma postura adequada e respeitosa diante da fala de seu interlocutor e poderá se expressar de maneira tranquila sem que haja um confronto entre ambas as partes na discussão do assunto em pauta.   

“Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano”. (SKINNER, 1974, p. 08.)

Entre esses problemas citados pelo autor pode-se ressaltar como o comportamento assertivo é fundamental para solucionar questões de conflitos nas mais diversas situações do meio social. A falta de compreensão do comportamento humano pode interferir tanto na comunicação verbal como na comunicação não verbal diante de seu interlocutor.

Tentar resolver os conflitos com agressividade poderá trazer sérias consequências para as pessoas envolvidas. Ao contrário desta situação, se colocar também na condição passiva, ou seja, sem ter uma opinião própria, concordando com a outra pessoa mesmo contra a sua vontade, poderá também alimentar um comportamento hostil da pessoa agressora. Diante da fala do autor, ao deparar-se com problemas que geram conflitos e para facilitar a compreensão da fala do outro, ser assertivo neste momento poderá ser a melhor forma de conduzir a situação, ou seja, demonstrar a sua maneira de pensar diante dos fatos e propor uma autorreflexão evitando assim transtornos desagradáveis entre as pessoas.

Para melhor ilustrar as características de cada um dos estilos comunicacionais iremos descrevê-los tendo por base o comportamento observável (verbal, não verbal e para verbal), os padrões de pensamento, os sentimentos e emoções e as consequências de cada comportamento (AZEVEDO, (1999); CASTANYER, (2004); CABALLO, (2008).

Comportamento observável não verbal: Postura direita e descontraída, ombros direitos, movimentos casuais com as mãos, ar pensativo, sério, interessado, atencioso, sorriso genuíno, mantém contato visual.

Neste comportamento considerado assertivo pelo autor, o indivíduo demonstra para o seu interlocutor através de gestos que algum tipo de conversa está lhe causando desconforto ali naquele momento.

Comportamento observável para verbal: Voz clara, firme agradável, suave, mantém o tom de voz, risos associados ao humor.

Neste comportamento, o sujeito mantém uma postura segura, porém sem agredir o seu interlocutor.

Comportamento observável verbal: Gostaria; Quero; Penso; Sinto; Acho; Não gosto; O que pensa?; Como poderemos resolver isto?; Concorda?; Compreendo; Obrigada; (…).

Na visão do autor, conduzir a fala usando tais expressões citadas seria uma das formas mais adequadas de se colocar diante da fala de seu interlocutor. Ao utilizar esse tipo de comportamento, poderá fazer com que haja uma autorreflexão entre o diálogo naquele momento.

Padrões de pensamento: Conhecem e acreditam nos próprios direitos. Têm crenças racionais. Não há espaço para dominação, dissimulação ou dependência. Importa a resolução de conflitos através da negociação (ganhar/ ganhar).

O indivíduo que demonstra convicção em sua fala e busca conduzir a conversa utilizando argumentos concretos possibilitará uma melhor forma de diálogo sem se colocar na dependência do Outro.

Sentimentos e emoções: Autoestima saudável; satisfação nos relacionamentos; respeito por si próprio; sensação de controle emocional.

A assertividade nos relacionamentos interpessoais é um fator primordial para que a conversa continue agradável. E uma das características citadas pelo autor é respeitar a opinião alheia, manter a autoestima elevada e ter foco e concentração na conversa.

Consequências: Desarmam quem os atacar. Os outros sentem-se respeitados e valorizados. Esclarecem equívocos. São consideradas pessoas “boas”, mas não “tontas”.

As consequências mencionadas pelo autor diante de um comportamento assertivo tendem a valorizar cada vez mais as pessoas e pode evitar interpretações inadequadas proporcionando um bem-estar no ambiente onde o respeito mútuo se faz necessário entre as partes.

No comportamento agressivo observável não verbal, o indivíduo faz gestos que intimidam o seu interlocutor demonstrando um descontentamento que provoca irritação dificultando a condução do diálogo.

Ao manter um tom de voz alto constantemente e não respeitar o tempo da fala de seu interlocutor, segundo o autor, este indivíduo apresenta um comportamento observável para verbal.

Segundo Azevedo, (1999); Castanyer, (2004); Caballo, (2008), comportamento observável verbal: Vai porque eu quero; Não sabe; Deveria; Deve estar a brincar…; Cale-se; Quem manda aqui sou eu; Tem que fazer senão…; (…), é mais uma forma de imposição querendo o tempo todo que o seu interlocutor acate às suas vontades e decisões sem permitir que o Outro manifeste a sua opinião.

No que se refere aos padrões de pensamento de um comportamento agressivo: “Agora só conto eu, o que tu pensas/sentes não me interessa”. “Se não for assim fico demasiado vulnerável”. “De outra maneira ninguém me respeita”. Tudo se restringe a ganhar ou perder. Crenças irracionais. O sujeito ao expressar desta maneira reforça o pensamento de que somente o que ele fala interessa, deixando o seu interlocutor em uma situação constrangedora.

Sentimentos e emoções: Ansiedade crescente, solidão, sensação de incompreensão, culpa e frustração. Baixa auto- estima, sensação de falta de controle, irritação crescente que se estende a mais pessoas e mais situações. Honestidade emocional. Tais sentimentos descritos pelos autores interfere negativamente na conduta do sujeito agressor comprometendo a sua vida cotidiana devido ao arrependimento de ter se colocado de forma inadequada diante de seu interlocutor.

E as consequências deste tipo de comportamento são desagradáveis: Rejeição ou evitar a presença de outras pessoas, solidão. “Círculo vicioso”.

Os autores ao falar do comportamento passivo, destacam o comportamento observável não verbal, onde o sujeito não consegue falar, mas mantém uma expressão corporal tensa, olhar cabisbaixo, movimentos repetitivos com as mãos e com os pés, percebe claramente uma inquietude em seu comportamento.

Um outro tipo de comportamento que pode-se observar diante da fala dos autores é o comportamento observável para verbal: Voz sumida e apagada, hesitações, para no meio do discurso, silêncios. Riso nervoso e forçado.

O sujeito permanece constantemente apático, apresenta uma enorme dificuldade em se expressar e demonstra muita insegurança ao falar ou fazer algum questionamento, concordando com o seu interlocutor mesmo pensando de forma diferente.

Algumas expressões são utilizadas na fala do sujeito que apresenta um comportamento observável verbal: Talvez; Quem sabe…; Desculpe, mas…; Realmente, não é importante; Não se incomode; Não tem importância; Não vale a pena…; Pergunto- me se poderíamos…; Não gosto de criar problemas…; (…). Segundo os autores, estes indivíduos não possuem opinião própria e estão constantemente se esquivando de continuar uma conversação e mesmo tendo uma conduta correta, se preocupam em pedir desculpas ao seu interlocutor.

Como padrões de pensamento citados pelos autores, tais indivíduos evitam incomodar ou ofender os outros. Sensação constante de ser incompreendido, manipulado, ignorado. Muita energia mental e pouco exterior. Crenças irracionais.

Sentimentos e emoções: Insegurança, sentem-se pessoas sacrificadas, culpabilidade, ansiedade e frustração. Fuga, submissão e dependência em relação aos acontecimentos e aos outros. Baixa autoestima e desonestidade emocional. As pessoas que apresentam comportamentos passivos podem desenvolver transtornos comprometedores para a sua vida. Por não conseguirem expressarem como gostariam, sentem-se mal-estar e às vezes o uso de medicamentos acompanhado por um profissional na área da psiquiatria pode ajudar a evitar a evolução desses transtornos.

Os autores vão dizer que as consequências apresentadas diante de um comportamento passivo como: Perda de autoestima e do apreço das outras pessoas podem comprometer a sua qualidade de vida e consequentemente interferir em suas atividades cotidianas como na concentração para estudar, para trabalhar, entre outras…

Os autores Azevedo, (1999); Castanyer, (2004); Caballo, (2008) mencionam um outro tipo de comportamento adquirido pelas pessoas que é o comportamento manipulativo.

No comportamento manipulativo observável: Tom de voz baixo, pouca clareza no discurso. Incongruência entre a comunicação verbal e não verbal. Pressiona/força o outro. Compara desfavoravelmente/evita indiretamente a tarefa. É mais hábil em criar conflitos, do que em reduzir as tensões existentes. Apresenta discursos diferentes, conforme o interlocutor. Não se aproxima quando há debate: fala baixo e por “segredinhos”. Consegue os seus objetivos sem se afirmar abertamente. Explora as vulnerabilidades do interlocutor. Desculpas para obter compaixão.

No comportamento observável verbal: Nunca pensaria tal coisa…; Não diria a mais ninguém…; Diz-se por aí…; Você é que sabe, mas…; Tenho muito gosto em resolver isto se puder contar com…; Não foi bem isso que eu pretendi dizer…; É só a sua opinião…; (…).

Dentro dos padrões de pensamento: Baixo respeito e desvalorização pelos outros.

No que se refere a sentimentos e emoções: Chantagem emocional, simpático em demasia, existe alguma forma de lisonja, insinuação, chantagem, sarcasmo. Desconfia das intenções do outro.

Como consequências observadas diante de tal comportamento: imediatas a perda de credibilidade e a longo prazo o fracasso, pois perde a capacidade de estabelecer relações com os outros com base na confiança recíproca.

No relato dos autores diante do comportamento manipulativo, percebe-se que o indivíduo está sempre buscando uma forma de intensificar um conflito mesmo utilizando um tom de voz baixo procurando se apropriar de argumentos que convença o seu interlocutor a aceitar as suas ideias. Ele poderá usar expressões que fará com que uma determinada situação se torne favorável para ele sem se importar com a opinião de seu interlocutor. Podemos observar também que as pessoas com comportamento manipulativo tentam chantagear a outra pessoa como forma de conseguir aquilo que pretende e se tornam pessoas desacreditadas com alto índice de fracasso.

O termo Habilidades Sociais refere-se às diferentes classes de comportamentos sociais disponíveis no repertório da pessoa para lidar de maneira adequada com as demandas das situações interpessoais. De acordo com Del Prette e Del Prette (1999), as pessoas que se isolam dessa interação ficam mais propensas a doenças físicas, estresse crônico e dificuldades nas relações interpessoais.   

Segundo Del Prette e Del Prette (1999), interagir socialmente nos ambientes do qual o indivíduo convive em seu meio social proporciona a ele um treino de Habilidades Sociais para entender com clareza o comportamento de outras pessoas ao seu redor, fato este, que facilitará a conduta adequada diante de algumas situações desconfortáveis que por ventura poderão surgir em tais ambientes.

Os autores afirmam que quando as pessoas não têm essa interação social, a convivência com o meio social poderá ficar prejudicada e consequentemente o sujeito se isola das demais pessoas presentes nos ambientes sociais. E ao se isolar, poderão surgir sentimento de impotência, insegurança, culpabilidade por não agir da forma que gostaria e podem desenvolver doenças psicossomáticas e/ ou físicas originárias de um comportamento passivo que o sujeito apresentou em seu meio social.

A pessoa que leva seu desejo de auto asserção ao extremo do comportamento “agressivo“ normalmente consegue seus objetivos às custas dos outros. Embora frequentemente perceba seu comportamento como auto enriquecedor e expressivo de seus sentimentos a situação, normalmente no processo magoa os outros ao fazer escolhas por eles e os desvaloriza como pessoas. O indivíduo quando não é assertivo, mesmo percebendo que seu comportamento é inadequado, age de forma agressiva para realizar seus objetivos desqualificando o seu interlocutor de um modo constrangedor. Agindo assim, mantém o foco de adquirir suas conquistas sem respeitar a opinião da outra pessoa, impondo suas ideias arrogantemente.

Segundo Alberti & Emomons, (1978) essas pessoas conseguem obter uma influência manipuladora diante de seu receptor afim de alcançar o que pretende.

Alguns autores consideram a habilidade social como sinônimo de assertividade (Caballo, 1991, 1993; Gosalves, Chabrol & Moron, 1984, in Matos, 1997), outros sustentam que as habilidades sociais compreendem um repertório mais amplo de respostas (Del Prette & Del Prette, 1999; MacKay, 1988; Falcone, 1989, 1995, 1998) e que a assertividade não esgota a noção de competência social (MATOS, 1977), apud FALCONE,(2001).

Na visão de alguns autores observa-se que o comportamento assertivo é essencial para um bom relacionamento tanto no âmbito interpessoal, como amoroso. O treino assertivo bem elaborado por profissionais capacitados conduz o indivíduo a lidar melhor com inúmeras situações de incômodo ao longo de sua vida.

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Segundo Caballo (2008), a assertividade está interligada as habilidades sociais que o indivíduo pratica. Há uma controvérsia quando o assunto é assertividade diante dos pensamentos de outros autores. Del Prette (2005), por exemplo vai dizer que a assertividade requer um aprofundamento maior na maneira como o sujeito lida com determinadas situações de desconforto.

É importante ressaltar que apesar dos autores terem visões diferenciadas sobre a assertividade, manter o equilíbrio ao conduzir uma conversa com seu interlocutor é fundamental para que haja um esclarecimento sem conflitos do assunto que está sendo colocado em pauta.

Segundo Geiss e O’Leary (1981), citado por Dattilio & Padesky, (1995), tanto psicoterapeutas quanto casais citam dificuldades de comunicação como o problema mais frequente e prejudicial nos relacionamentos.

Nos dias atuais, depara-se constantemente com casais que tem grandes dificuldades em se relacionar, e estas dificuldades podem estar relacionadas a falta de controle no momento de uma conversa. A importância da escuta diante da fala do outro e vice-versa são pontos primordiais que podem minimizar algum tipo de conflito existente durante a conversação. Expor a opinião de cada um de forma clara e objetiva sem agressão é um outro ponto fundamental para a continuação da conversa.

Quando as dificuldades conjugais surgem na vida dos casais e não são colocadas em pauta para serem ajustadas, acontece um acúmulo que vai se interiorizando nestes indivíduos e consequentemente com o surgimento de novas dificuldades, pode estar formando entre esses casais uma “bomba relógio” preste a explodir a qualquer momento. Daí a importância de ser assertivo no momento exato que há a necessidade de ambos se expressarem de forma adequada.

Considerando os efeitos de respostas passivas e agressivas para o grupo, é aparentemente muito mais interessante para o grupo suprimir ou evitar comportamentos agressivos, pela magnitude ou extensão das consequências desses comportamentos. Quando um indivíduo se comporta passivamente, deixa de produzir consequências reforçadoras diversas para si, no entanto produz reforçadores diversos para o grupo. As consequências aversivas dos comportamentos passivos geram para o indivíduo sentimentos de fracasso, baixa autoestima, ansiedade, formulação de auto regras depreciativas etc. (Schwartz & Gottman, (1976); Zollo & Cols, (1985). apud MARCHEZINI-CUNHA e TOURINHO. (2010).

Segundo os autores, os indivíduos se colocam na condição de passividade quando estão em grupos de pessoas com o intuito de evitar o começo de um conflito e por não terem argumentos necessários para conduzir uma conversa, sentem-se fracassados e impotentes e sempre concordam com a opinião de outras pessoas mesmo que a sua forma de pensar seja diferente. Por outro lado, há aqueles indivíduos que quando estão em grupo, sentem uma grande necessidade de expor a sua fala, mas pode se tornarem agressivos dependendo se há uma imposição de sua parte ou até mesmo ao se pronunciar expõe um tom áspero que magoe outras pessoas provocando também segundo os autores, consequências reforçadoras de isolamento social e estes indivíduos podem ter sentimento de tristeza, angústia.

Segundo Del Prette & Del Prette, (1999, 2001), os programas de habilidades sociais, voltados para o treinamento e a profilaxia vêm se tornando uma alternativa promissora em nosso meio. A Terapia Cognitivo Comportamental é uma forma de tratamento mais adequada para esses tipos de comportamentos. Através de um treinamento assertivo esses indivíduos gradativamente poderão aprender a se posicionar de forma que não seja passiva e nem agressiva, mais sim conduzir a conversa de maneira agradável diante do grupo de pessoas que se encontra.

Segundo a autora Vera Martins (2005), em nossos relacionamentos cotidianos, podemos constatar que são poucas as pessoas que se sentem livres para expressar o que está dentro de si. Outras preferem pagar os custos da agressão e da submissão para obter benefícios questionáveis provenientes dessa relação complementar e simbiótica, cujos papéis são bem definidos como o dominador que ataca e o dominado que recua.

Como pode-se observar, o dominador que ataca são aquelas pessoas que agem de forma agressiva diante da outra pessoa sem medir a dimensão de suas palavras e o quanto aquela fala pode atingir o seu interlocutor. Já no caso do dominado que recua, são pessoas que agem passivamente e não consegue se expressar como gostariam e com isso reforça na pessoa dominadora um sentimento cada vez maior de empoderamento.

Para Caballo (2008), Smith (1997), Alberti e Emmons (2008), a raiva tem um efeito muito negativo na clareza e eficácia da comunicação com as outras pessoas.

A raiva é um sentimento natural que faz parte do comportamento humano. Porém quando esta raiva se torna excessiva e persistente pode contribuir para dificultar o relacionamento de uma ou mais pessoas. O sujeito ao manifestar sua raiva de forma intensa, presta mais atenção nos seus sentimentos e não consegue lidar de forma assertiva. Desta maneira, a agressividade se faz presente e o indivíduo busca conseguir tudo aquilo que pretende através de ameaças, usando um tom de voz alta e rápida que futuramente pode ter um custo alto para a sua vida.

Fazer elogios fortalece e aprofunda as relações interpessoais. As pessoas que recebem o elogio não se sentem esquecidas e depreciadas (CABALLO, 2008), apud Portella (2011).

Essa é uma das maneiras das pessoas serem assertivas mencionadas pelo autor. A pessoa que recebe o elogio sente-se valorizada e possibilita uma melhor conduta na comunicação e por outro lado, a pessoa que faz o elogio se coloca na condição de observadora e através de um simples gesto positivo pode proporcionar um bem-estar tanto para a pessoa elogiada como para si própria.

TREINAMENTOS EM HABILIDADES SOCIAIS

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De acordo com Portela (2011), o Treinamento em Habilidades Sociais consiste em um treino realizado através de diferentes estratégias comportamentais que visam melhorar a competência social de uma pessoa. Esse é um tipo de treinamento utilizado na Terapia Cognitivo Comportamental e visa diminuir os níveis de ansiedade, bem como promover a reestruturação cognitiva do indivíduo quando a demanda apresentada é a dificuldade de interação interpessoal, ou seja, quando o sujeito não faz suas colocações adequadamente como gostaria e às vezes nem percebe que está sendo agressivo ou até mesmo passivo e sofre com este tipo de comportamento.

A empatia é entendida como a capacidade de compreender e de expressar compreensão acurada sobre a perspectiva e sentimentos de outra pessoa, além de experimentar sentimentos de compaixão e de interesse pelo bem-estar desta (BARRET- LENNARD, 1993, EGAN, 1994, FALCONE, 1999).

Segundo as autoras, o sujeito ao se colocar no lugar da outra pessoa, buscando entender seus sentimentos antes mesmo de se expressar, poderá facilitar a comunicação verbal ao se relacionar com o seu meio social. Esse ponto se torna um dos fatores importantíssimos quando o indivíduo se depara com situações de conflitos.

Em uma revisão feita por Falcone (1999), apud Carneiro e Falcone (1999) foi verificado que os estudos sobre os efeitos do treinamento assertivo têm apontado a ocorrência do aumento da autoconfiança e da realização pessoal, bem como da redução da depressão e da ansiedade social.

As autoras falam da importância do treino assertivo como redução de diversos sintomas apresentados. O indivíduo quando assertivo ele adquire mais segurança para lidar com os obstáculos cotidianos e consegue administrar melhor seus objetivos mantendo o foco em suas realizações.

Quando o indivíduo encontra dificuldade em ser assertivo podem surgir sintomas desagradáveis comprometendo sua vida social e afetiva. Nestes casos, a importância de buscar a ajuda de um profissional competente é de suma importância para que o mesmo encontre o seu equilíbrio.

Para Alberti e Emmons (2008) o treino assertivo tem como principal objetivo mudar a forma como o indivíduo se vê a si próprio, aumentar a sua capacidade de afirmação, permitir que este expresse de forma adequada os seus sentimentos e pensamentos e, posteriormente, estabelecer a autoconfiança.

O autor retrata claramente que o sujeito para se tornar uma pessoa assertiva ao interagir com outra pessoa é importante que faça um autoconhecimento, não reprimindo seus sentimentos e sendo afirmativo e objetivo naquilo que vai falar aumentando a sua confiança diante de seu interlocutor.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com estudos realizados, pode-se considerar que as relações pessoais devem estar sempre em pauta entre os profissionais de Psicologia e de todas as áreas afins.

Pode-se notar que o tema carece de um aprofundamento o que tange às pesquisas, pois ainda está restrito a uma pequena parcela de pesquisadores, apesar de, em relação as áreas aplicadas, perceba-se um interesse maior, o que indica que há uma atenção maior ao assunto por conta de sua relevância social.

O presente artigo buscou apresentar as colaborações que o treino assertivo pode dar ao indivíduo nas relações interpessoais (sociais, profissionais, etc.), pois seria a partir daí que acontecerá o controle sobre as situações do dia-a-dia, o que pode levá-lo a ter o equilíbrio necessário para debater seus pontos de vista de forma racional e isto não ocorre apenas entre os adultos,, no meio escolar (Ensino Fundamental e Médio), entre crianças e adolescentes, é comum acontecer situações onde os mesmos, ao estarem em situações de desconforto, se tornam agressivos ao terem que expor sua opinião, portanto, também busca-se com o presente estudo, apresentar a necessidade de dar início às orientações desde o período escolar para que sejam formados adultos com maior controle emocional.

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José Elias dos Santos – CRP/RJ. 05/52196 – Psicólogo Clínico e Terapeuta Cognitivo Comportamental

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