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TRANSTORNO DA PERSONALIDADE PARANÓIDE

 

 

Os indivíduos com transtorno da personalidade paranóide (TPP) são caracterizados por uma tendência persistente e irrealista de interpretar as intenções e ações dos outros como humilhantes ou ameaçadoras, mas estão livres de sintomas psicóticos persistentes, ou seja, delírios e alucinações.
O tópico geral da paranóia tem sido discutido desde épocas antigas, quando o termo era empregado livremente, em referência a todas as formas de transtorno mental. Uma visão típica foi apresentada por Shapiro (1965), cujo argumento foi que o transtorno é resultado da “projeção” de sentimentos e impulsos inaceitáveis em si mesmo. Em teoria, atribuir impulsos inaceitáveis aos outros, em vez de a si mesmo, reduz ou elimina a culpa por esses impulsos e, portanto, serve como uma defesa contra o conflito interno.
Um modelo cognitivo-comportamental da paranóia, semelhante a essa visão tradicional, foi apresentado por Colby e colaboradores (Colby, 1981; Colby, Faught e Parkinson, 1979).
Esses investigadores desenvolveram uma simulação em computador das respostas de um cliente paranóide em uma entrevista psiquiátrica, suficientemente realista para que entrevistadores experientes não conseguissem distinguir entre as respostas do computador e as de um cliente paranóide. A entrevista tinha um escopo limitado (Kochen, 1981). O modelo de Colby baseia-se na suposição de que a paranóia é, na verdade, um conjunto de estratégias que visam minimizar ou impedir a vergonha e a humilhação.

 

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O indivíduo paranóide acredita profundamente que é inadequado, imperfeito e insuficiente. Essa suposição resulta em níveis intoleráveis de vergonha e humilhação, em situações como ser objeto de ridículo, ser falsamente acusado ou desenvolver alguma incapacidade física. Colby hipotetizou que, quando ocorre uma situação “humilhante”, o indivíduo consegue evitar aceitar a culpa e os consequentes sentimentos de vergonha e humilhação culpando outra pessoa pelo evento e afirmando ter sido maltratado.
O TPP em si recebeu atenção de vários autores. Cameron (1963, 1974) via o transtorno originando-se de uma falta básica de confiança, resultante de maus tratos por parte dos pais e da ausência de um amor parental consistente.
A criança aprende a esperar um tratamento sádico dos outros, a ficar atenta a sinais de perigo e a agir rapidamente para se defender. A vigilância leva a pessoa a detectar deixas sutis de reações negativas nos outros e a reagir fortemente a eles. Ao mesmo tempo, ela não percebe o impacto que suas atitudes hostis têm sobre os outros.
Como Cameron, Millon (1996) afirmou que a falta de confiança do indivíduo paranóide desempenha um papel central no TPR.  A falta de confiança daria origem a um grande medo de ser coagido e controlado pelos outros e desempenharia um papel importante nos problemas interpessoais do indivíduo. Além disso, a falta de confiança e o medo de ser coagido ou controlado pelos demais resulta em um isolamento interpessoal que priva o indivíduo paranóide de “verificações da realidade”, que poderiam reduzir suas suspeitas e fantasias. Mas Millon (1996, p. 701) argumenta que não existe um conjunto consistente de atributos que seja a “essência” do TPR.
Segundo Turkat, as interações iniciais da criança com os pais ensinam que “Você deve tomar cuidado para não cometer erros” e “Você é diferente dos outros”. Essas duas crenças resultam não só em uma grande preocupação do indivíduo com a avaliação dos outros, mas também em um sentimento de obrigação em relação às expectativas parentais, o que interfere na aceitação pelos iguais. Isso faz com que o indivíduo sinta-se no ostracismo e humilhado pelos iguais – sem possuir as habilidades interpessoais necessárias para superar tal condição. Conseqüentemente, ele passa muito tempo ruminando sobre seu isolamento e os maus tratos recebidos dos iguais e acaba concluindo que está sendo perseguido, porque é especial e os outros têm inveja. Essa explicação “racional” reduziria o sofrimento da pessoa pelo isolamento social. A resultante visão paranóide dos outros perpetua o isolamento do indivíduo, pois sua antecipação da rejeição resulta em uma considerável ansiedade diante das interações sociais; além disso, ser aceito pelos outros ameaçaria seu sistema explanatório.

 

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                                                                  MANTENDO O PROGRESSO NO TRATAMENTO
O processo de terminar o tratamento com indivíduos com TPP costuma ser muito mais direto do que com outros indivíduos com transtornos da personalidade. Os indivíduos paranóides geralmente preferem depender de si mesmos e ficam ansiosos pelo final do tratamento. De fato, o terapeuta talvez precise estar atento a essa tendência do cliente de querer terminar a terapia prematuramente e convencê-lo a persistir no tratamento, até ser concluído o trabalho sobre prevenção da recaída. Muitas vezes, é mais fácil persuadir o cliente a concordar com isso, se o intervalo entre as sessões for aumentando à medida que ele se sentir melhor.
Ao trabalhar na prevenção da recaída, é sobremaneira importante antecipar situações em que a desconfiança, a reserva e a defensividade do cliente parecerão justificadas, e planejar como lidar com essas situações de modo efetivo. Obviamente, não é seguro presumir que o cliente só encontrará pessoas bondosas no futuro.                             É importante que o terapeuta e o cliente reconheçam que ele encontrará pessoas maldosas ou enganadoras, de vez em quando, e que precisa planejar como lidar com tais situações. É muito útil para o cliente ter a oportunidade, antes do final do tratamento, de praticar lidar com situações em que se sente maltratado.
Os indivíduos paranóides talvez relutem em voltar para “sessões de encorajamento”, quando necessário, se virem o retorno ao tratamento como sinal de fraqueza ou fracasso. Convém apresentar a ideia de que voltar a consultar o terapeuta, quando necessário, é uma forma de “manutenção preventiva” e sinal do bom julgamento do cliente.
No âmbito geral, a visão paranóide do cliente não é o principal foco da intervenção proposta.
Em vez disso, as intervenções cognitivo comportamentais padrão são usadas para tratar os outros problemas do cliente, e suas ideias paranóides são tratadas quando isso for relevante para atingir os objetivos.

 

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Texto extraído do Livro Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade (2º Edição)

Autores: Aaron T. Beck;   Arthur Freeman;   Denise D. Davis e colaboradores

Editora: Artmed

 

José Elias dos Santos – CRP/RJ. 05/52196 – Especialidade em Terapia Cognitiva Comportamental

Agendamento para consultas no Espaço Multidisciplinar Vida Plena – Rua André Rugeri, 115 – Bairro de Fátima – Valença – R.J. ou pelos telefones:

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