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A IMPORTÂNCIA DO PSICOPEDAGOGO NA SUPERAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

 

Entrevista realizada por aluno do curso de pós graduação em  psicopedagogia

Estamos aqui com a psicopedagoga, psicanalista, escritora  e mestranda Andréa Pinheiro que atende em sua clínica, o espaço Multidisciplinar Vida Plena na cidade de Valença-RJ

*Quem é o psicopedagogo?

Um terapeuta da aprendizagem.

*O que ele faz?

Num primeiro momento investiga as razões da não aprendizagem e dificuldades dela, para num momento seguinte traçar estratégias para ajudá-lo a superar dificuldades.

*Como isso é feito?

Como psicopedagoga e também psicanalista, acredito muito na proposta da ludicidade. Utilizo jogos, brincadeiras, desenhos, experiências sensoriais e leituras como ferramenta de trabalho não apenas durante as avaliações, assim como nas intervenções.

*E como essas estratégias podem colaborar?

Da forma mais positiva possível, porque através das estratégias, a criança ou jovem sequer irá perceber que está sendo observada, avaliada e tampouco que intervenções estejam sendo realizadas.

*Você pode nos dar um exemplo disso?

Sim. Em um de meus atendimentos com uma criança de 09 anos, jogávamos Banco Imobiliário, e propositalmente sugeri que ele também ficasse na função de bancário, lidando com o dinheiro, efetuando as compras e vendas das propriedades, dando troco, distribuindo o dinheiro, enfim, funções ligadas à essa função. O objetivo de trabalhar com esse jogo foi justamente para trabalhar a matemática e raciocínio lógico do qual se queixava com dificuldades na escola, além de faze-lo se comprometer e se organizar, questões essas um pouco difíceis para ele.  Entretanto, à medida que o jogo evoluía (por 02 sessões), ele nem ao menos se deu conta de que já executava “de cabeça” todas as operações matemáticas. E quando sinalizei isso a ele, dizendo: “Você percebeu que já consegue fazer as operações? Ele disse: É mesmo tia! E eu nem me dei conta de que estava somando, diminuído, multiplicando e dividindo….que legal!”

*Que diversidade de transtornos de aprendizagem você já identificou ou recebeu em sua clínica?

Muitos, dentre eles já recebi pacientes com autismo, síndrome de down, deficiência intelectual, dislexia, discalculia, TDA, TDAH, TOD, transtornos de linguagem, altas habilidades e super dotação, enfim, muitos casos. Mas lógico que nem sempre falamos de transtornos especificamente, muitas das vezes são apenas dificuldades específicas de aprendizagem.

*E como lidar com questões tão específicas?

É verdade, são questões muito específicas, caso a caso, e independente de quais forem os transtornos ou as dificuldades, cada criança é um sujeito diferente, com suas especificidades e demandas diferenciadas. Cabe ao psicopedagogo manejar todas essas questões e realizar atendimentos diferenciados e específicos para cada necessidade, respeitando o tempo de resposta de cada um, observando seus focos de interesse e se utilizando disso como ferramenta de trabalho para manejar as intervenções.

*E como se dá o processo de alta de um paciente psicopedagógico?

Não há tempo preestabelecido, até porque como disse antes, cada caso é um caso. E o tempo de resposta de cada paciente sempre é diferente. Em casos de dificuldades de aprendizagem, em grande parte dos atendimentos, apenas alguns ajustes junto à família e a escola e algumas sessões psicopedagógicas dão conta de ajudar o paciente a superar essas dificuldades. Já com transtornos como mencionei anteriormente, as intervenções são mais pontuais e o tratamento precisa ser um pouco mais prolongado, mas assim mesmo varia de paciente para paciente. É sempre o paciente que determina esse tempo, à medida que ele vai respondendo às intervenções.

*O que um responsável deve fazer quando perceber que há algo que não vai bem na relação de sua criança ou jovem com a escola ou seus estudos?

 Procurar imediatamente um psicopedagogo e pedir orientações. Eu por exemplo não cobro essa primeira conversa com a família, pra justamente entender do que se trata, e só então saber se posso ajudar ou não. E tem outro detalhe importante, no caso de crianças especificamente, nem sempre elas conseguem nos dizer de suas necessidades, são os pais que irão nos trazer relatos importantes dessa demanda. E também, no caso de atender menores de idade, a família sempre será uma parceira de extrema importância. Não há como atender crianças e jovens sem essa parceria com a família.

*Então, pelo que pude entender, a família colabora com o tratamento psicopedagógico?

Sim, com toda certeza. Nós que lidamos com o público infanto-juvenil não realizamos um trabalho de qualidade se a família não estiver atuante e engajada no processo.

*Agradeço imensamente sua colaboração em esclarecer as especificidades da clínica psicopedagógica, esclarecimentos que serão de grande valia para os acadêmicos. Um grande abraço.

 

Entrevistada: Andréa Pinheiro – Psicopedagoga, Psicanalista, Escritora e Mestranda em Psicanálise pela Universidade Veiga de Almeida.

 

Agendamentos em Valença:

(24) 2452-4478 ou (24) 99817-2071.

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